São Paulo, 22 (AE) - As exportações brasileiras de carne suína no primeiro trimestre deste ano totalizaram 16.242 t, um declínio de 19,03% em comparação com as 20.060 t dos três primeiros meses de 98, informou a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. As vendas recuaram apesar de os embarques terem crescido mês a mês: fevereiro cresceu 35% sobre janeiro e março apresentou aumento de 9% sobre fevereiro passado.
De acordo com o presidente-executivo da Abipecs, Cláudio Martins, o comportamento das vendas externas no primeiro trimestre é preocupante e começa a ameaçar a meta do setor para 99 de exportar 160 mil t, com receita de US$ 200 milhões. As exportações de carne suína também registraram recuo na receita no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período de 98.
De janeiro a março deste ano, a receita somou US$ 27,412 milhões de t, 31,07% abaixo das 39,765 milhões de t do primeiro trimestre de 98, segundo a Abipecs. O preço médio de venda teve queda de 14,86% no primeiro trimestre em comparação com os três primeiros meses de 98, para US$ 1.688,00 por tonelada.
Segundo o presidente-executivo da Abipecs, a principal causa do desempenho negativo no trimestre é o aumento de cerca de 5% na produção nacional num período de baixo consumo. Além disso, afirma, "ao serem pressionados pela maior disponibilidade de volumes não absorvidos pelo mercado doméstico
os exportadores não resistiram a pressões externas de redução dos preços, já que o câmbio os favorece".
A maior redução nas vendas no primeiro trimestre se deu no mercado argentino, para onde foram embarcadas 6.773 toneladas de carne, 25,57% abaixo das 9.101 toneladas do mesmo período de 98. A receita cambial das vendas para a Argentina recuou 32,03%, para US$ 12,552 milhões.
De acordo com Martins, o protecionismo argentino é um dos principais motivos para o recuo nas exportações para a aquele país. Suinocultores argentinos até já alegaram que a produção brasileira seria subsidiada. As dificuldades nas negociações decorrentes da desvalorização cambial também prejudicaram as vendas para a Argentina, segundo a Abipecs.
O volume exportado para Hong Kong também registrou queda - de 13,68% - para 7.659 toneladas. A receita com as exportações teve declínio de 29,84%, para US$ 11,753 milhões.
Conforme os números da associação dos exportadores, o Uruguai foi o único mercado para o qual as vendas de carne suína cresceram no primeiro trimestre deste ano.
Elas tiveram aumento de 39%, para 1.231 t contra 887 t no primeiro trimestre de 98. A receita cambial com estas exportações, no entanto, aumentou apenas 0,68% no período, para US$ 2,032 milhões, resultado da redução significativa dos preços também neste mercado, segundo a Abipecs.

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