Exportação de carne suína cai 17,5%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 25 (AE) - As exportações de carne suína no primeiro quadrimestre registraram redução de 17,53% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína Abipecs. De janeiro a abril deste ano, as vendas somaram 22.613 toneladas contra 27.421 t no mesmo período de 98.
A receita cambial com as exportações no período teve queda de 25,77%, totalizando US$ 39,902 milhões ante US$ 53,754 milhões nos quatro primeiros meses de 98. A menor receita é resultado de uma queda dos preços médios na exportações de 10% no período. Eles passaram de US$ 1.960,00 por tonelada nos primeiros quatro meses de 98 para US$ 1.765,00 de janeiro a abril deste ano.
Considerando apenas o mês de abril, as exportações de carne suína recuaram 13,45%, passando de 7.361 t no mesmo período de 98 para 6.371 t no mês passado. No período, a receita cambial com as exportações teve queda de 32,16%, passando de US$ 13,989 milhões em abril de 98 para US$ 9,49 milhões no mês passado, em função da queda de 21,62% no preço médio de exportação.
De acordo com opresidente-executivo da Abipecs, Cláudio Martins, o comportamento das exportações no primeiro quadrimestre pode ameaçar as metas programadas para este ano. Ele avalia que a queda das vendas em abril "cristaliza a tendência de recuo das exportações" (...) apesar de o resultado em abril ter sido um pouco superior a março, quando foram exportadas 6.255 t.
Protecionismo - Para a Abipecs, a concentração da vendas em apenas dois mercados - Argentina e Hong Kong - dificulta o aumento das exportações brasileiras de carne suína. Além disso, diz Martins, tem havido um aumento do protecionismo por parte da Argentina, o que limita o acesso do Brasil àquele mercado.
Como resultado, os volumes embarcados para a Argentina nos primeiros quatro meses deste ano recuaram 26% em comparação com o mesmo período de 98. As vendas para Hong Kong também recuaram - 14% - nos períodos analisados, de acordo com a Abipecs.
No primeiro quadrimestre, apenas as vendas para o Uruguai registraram aumento. No entanto, como os volumes são pequenos, "a influência no resultado acumulado é muito reduzida", segundo a Abipecs. As exportações para o Uruguai cresceram 34,15%, somando 1.617 t ante 1.205 t em abril de 98.
Diante dos resultados negativos das exportações, apesar da desvalorização cambial que poderia estimular os negócios, a Abipecs deve "se empenhar no acesso a novos mercados a fim de descentralizar as exportações". Uma das medidas será a apresentação à Agência de Promoção de Exportação de um projeto de promoção comercial para divulgar a carne suína brasileira no mercado internacional.


