Exportação de carne deve gerar US$ 801 milhões em 99
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 11 (AE) - As exportações de carne bovina em 1999 devem atingir o volume de 610 milhões de toneladas equivalente carcaça, um crescimento de 65% em relação às 370 milhões de toneladas registradas em 1998. Os recursos gerados pelas exportações deverão somar US$ 801 milhões, 40% a mais que os US$ 572 milhões registrados em 1998. A estimativa consta do Anualpec 1999, anuário estatístico elaborado pela FNP Consultoria, disponível a partir do final de maio.
Segundo José Vicente Ferraz, analista da FNP, a estimativa de crescimento das exportações e dos ganhos decorrentes das vendas externas foi baseada na desvalorização cambial registrada pelo real ante o dólar em janeiro e também na nova política comercial que começa a se delinear nos EUA.
Ferraz explica que os EUA estão reduzindo seus subsídios para commodities de exportação, como a carne bovina, para que as exportações se concentrem em produtos em que possuem vantagem competitiva. "O resultado desta política, no médio prazo, é de uma redução nas exportações norteamericanas, e isto abre espaço para a carne brasileira", explica ele. A expectativa é de que o Brasil atinja exportações de 1 milhão de t já no ano 2000.
Uma das consequências do aumento das exportações em 99 será a redução do consumo interno, pressionado também pela atual crise pela qual o País atravessa. "Quando o poder de compra da população cai, achatado pela recessão econômica, é natural que o consumo de carne vermelha também caia", disse Ferraz.
A estimativa é de que o consumo caia de 6,131 milhões de toneladas em 98 para 6,082 milhões de t em 1999. Segundo ele, o consumo interno de carne será 91,2% da produção total de 1999 ante 95,5% da produção total de 98.
Ferraz informa também que o rebanho brasileiro deverá registrar um ligeiro aumento em 1999, passando de 150,3 milhões de cabeças para 151,2 milhões. A expectatia é de que o rebanho também volte a crescer em 2000 para depois iniciar um produto de encolhimento. "Com o uso de novas tecnologias, a tendência é de que ocorra um ganho de produtividade por cabeça.
Assim haverá mais carne por cabeça e consequentemente menos rebanho", disse. Segundo dados do Anualpec 99, o volume de gado confinado deverá atingir, em 1999, cerca de 1,5 milhão de cabeças, um volume perto de 15% superior aos 1,29 milhão verificado em 1998. Para o analista da FNP, o crescimento será registrado mais lentamente nos próximos anos devido ao aumento nos custos de confinamento provocado pela desvalorização cambial.
Segundo ele, este aumento de custos deve atingir os 20% em 1999, considerando um dólar de R$ 1,75. Para Ferraz, mesmo com o dólar recuando para níveis de R$ 1,65 a exportação de carne bovina ainda é vantajosa para os frigoríficos. Segundo ele
a desvalorização cambial e foi a salvação para o setor frigorífico.
"A exportação faz com que os frigoríficos tenham uma margem mais sólida que a verificada nos frigoríficos que operam apenas no mercado interno, que, teoricamente, trabalham no vermelho", disse. Ferraz explica que o aumento das exportações poderá acelerar o processo de concentração deste mercado. "No médio prazo, haverá um número menor, de frigoríficos maiores", disse ele.
Segundo Ferraz, para que os frigoríficos sobrevivam, eles terão que investir em salas de desossa modernas, equipamentos modernos e uma rede de distribuição mais eficiente. A expectativa é de que o preço da arroba do boi, em São Paulo, fique, em média, em US$ 18 em 1999 depois de bater nos US$ 23,80 em 1998. "Depois do impacto da desvalorização, a tendência é de que os preços se recuperem", disse.


