Expo Japão promoveu encontro de culturas e gerações
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domingo, 07 de junho de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Londrina - Crianças, jovens, adultos e idosos conviveram por cinco dias em um mesmo espaço de manifestação cultural na Expo Japão 2015. O evento, realizado pela Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), terminou ontem e contou com apresentações culturais, gastronomia e exposição agrícola.
No início da tarde, os sons da guitarra, bateria e baixo tomaram o palco montado no espaço da Acel. Era a apresentação da banda Pokoretto, que toca músicas de pop rock japonesas, inclusive trilhas sonoras de animês (desenhos animados japoneses). Os integrantes, com idades entre 18 e 30 anos, se orgulham de integrar jovens, descendentes ou não, à cultura japonesa em Londrina. "Integramos quem gosta de animê, música e mangá", conta Aline Nishikawa, uma das integrantes.
Em seguida, foi a vez de um grupo de dança típica japonesa (buyo). Lá, estava Kyoko Saito, uma senhora de 86 anos, a única em Londrina e região que ensina um estilo de dança muito antigo, chamado Fujima Ryu. A coreografia apresentada expressava, em movimentos delicados, a saudade de um casal de namorados que por um tempo ficaram separados. O grupo, chamado Nakayoshi Club, é formado por senhoras de 65 a 86 anos. "Mas aceitamos pessoas qualquer idade", ressalva Helena Suzuki, uma das integrantes do grupo.
Quem observa um instrumento milenar, vindo lá do Período Edo (de 1603 a 1868) no Japão, não imagina que ainda existam pessoas que saibam tocá-lo. O kotô, uma espécie de cítara japonesa, é um instrumento de cordas cujo som era um privilégio de poucos. "O instrumento era tocado apenas para a nobreza", explica Elizabeth Morikawa, que está à frente de um grupo de kotô em Londrina, o Koto no Kai. O grupo também se apresentou ontem na Expo Japão.
Entre os integrantes, a maioria senhoras, está uma fisioterapeuta de 26 anos e um estudante de 21. A influência pela cultura tradicional japonesa veio dos avós, conta a fisioterapeuta, Viviane Murakami. "Dizem que os mais jovens aqui (no Brasil) estão muito mais ligados à cultura tradicional japonesa do que no Japão", comenta. Já no caso do estudante Rafael Tresso, que não é descendente de japoneses, a sonoridade do kotô é o que o atraiu ao aprendizado do instrumento. "Já tinha ouvido na internet. Uma semana depois, estava passando perto de um prédio e ouvi um som muito similar. Foi como encontrei a professora Elizabeth e passei a fazer aulas."
Ainda ontem, Myoshi Nakanishi, de 78, foi homenageado como o jogador de softbol mais velho do torneio realizado na Expo Japão. O softbol é um esporte muito parecido com o beisebol, porém, jogado em um campo menor utilizando uma bola maior e mais macia. Nakanishi começou a jogar softbol e beisebol ainda jovem, aos 16 anos. O "segredo" para continuar treinando mesmo passados mais de 70 anos e uma cirurgia no olho é a paixão pelo esporte. "Eu gosto, então continuo jogando. E é bom para a saúde."
A Expo Japão promoveu não só o encontro de diferentes gerações, mas também de culturas. O casal Neusa dos Santos Bruno, técnica de enfermagem, e Carlos Bruno, que trabalha em um frigorífico, frequenta o evento há três anos. A técnica de enfermagem conta que as visitas à Expo Japão começaram com o interesse pela cultura japonesa. "Todos os anos esperamos o evento. Gosto das apresentações, da comida... Só do peixe (cru) que não", brinca Neusa. O casal foi acompanhado do filho, Nicolas, de 5.
O evento também teve uma apresentação de tambor japonês. A Regional Paranaense de Taikô reuniu ontem 130 taikôs tocados por 14 grupos de cidades do Paraná e São Paulo. Eletrizante, a apresentação foi uma homenagem aos 107 anos da Imigração Japonesa no Brasil, que será comemorado no próximo dia 18.
"O evento superou todas as expectativas em termos de público, de repercussão. O público correspondeu ao nosso chamado, houve mobilização de pessoal de fora para as apresentações", concluiu Eduardo Tominaga, coordenador da exposição cultural. "Acredito que tenhamos atingido nosso objetivo de receber 30 mil visitantes." A exposição agrícola também superou as expectativas da organização, segundo o coordenador, Nilton Honuma. "Nosso foco são os pequenos produtores da grande Londrina. Cerca de 160 vieram mostrar seus produtos. Esse ano foi excepcional." A Expo Japão é realizada todos os anos em Londrina.


