Belgrado, 19 (AE-AP) - Depois de seu dia mais ativo em matéria de bombardeios, a Otan atacou no início desta segunda-feira (19) a segunda maior cidade da Sérvia e outros alvos, incluindo uma cidade com uma fábrica de produtos químicos
onde oficiais sérvios avisaram que pode haver um desastre ecológico. Além disso, o principal ponto de travessia para os albaneses étnicos que deixavam a província do Kosovo para a Albânia foi fechado hoje (19), depois que Belgrado cortou relações diplomáticas com o governo albanês, acusando-o de apoiar a "agressão". Soldados albaneses circulavam pela estação de fronteira Morini ordenando aos repórteres que não se aproximassem do local. Monitores internacionais descreveram a situação como tensa e disseram ainda não estar claro por quanto tempo a fronteira permanecerá fechada.
As sirenes anti-ataques aéreos voltaram a soar no começo do dia em Belgrado, Novi Sad, Nis e Cacak. Segundo a agência de notícias Tanjug, quatro fortes explosões aconteceram em Baric, local onde se encontra instalada uma fábrica de produtos químicos a cerca de 25 quilômetros de Belgrado. Ontem (18) autoridades sérvias avisaram que pode acontecer uma grande catástrofe ecológica se a Otan atingir a instalação. Isso porque a fábrica processa componentes para detergentes e há cerca de 180 toneladas do altamente tóxico hydrofluorido no local. Se ela for atingida, uma nuvem com uma dose letal do ácido se espalhará por um raio de 30 quilômetros.
A Tanjug afirmou também que um míssil atingiu um prédio do governo da província no coração de Novi Sad, a segunda maior cidade da Sérvia. Não houve vítimas mas os estragos foram descritos como "grandes". Mísseis da Otan também atingiram as cidades de Paracin, Kraljevo, Sremska Mitrovica e a região de Subotica. O ataque desta última gerou protestos por parte do governo da Hungria, uma vez que o local é povoado por muitos húngaros. Horas antes oficiais da Hungria haviam perguntado à aliança por que a cidade havia sido alvo em um ataque anterior, na quinta-feira passada. O ministro do Exterior húngaro, Janos Martonyi, apareceu na TV avisando que tal ação pode aumentar o ódio étnico, especialmente pela Hungria fazer parte da Otan.

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