Arquivo FolhaAmeaças e bombas mobilizam agentes especiais da Polícia MilitarDuas pessoas morreram em Curitiba no ano passado em consequência da explosão de bombas de fabricação caseira. Uma delas, o mecânico Leandro Correa, foi atingida por uma bomba jogada numa estação de ônibus. A outra foi vítima da própria irresponsabilidade. Osvaldo Moreira carregava no bolso uma bomba caseira, feita com um grupo de amigos, e morreu ao cair de bicicleta, provocando a explosão. Dois outros rapazes foram indiciados pela fabricação das bombas.
Situação semelhante ocorreu com o menor A.C.C., de 17 anos, ferido gravemente pela explosão de uma bomba que carregava na cintura. Na maioria das vezes, contudo, as vítimas são inocentes (veja quadro nesta página).
Kraw Penas/Folha de LondrinaArtefato encontrado em agência do Banco Real no Centro dia 3 de janeiro deste ano não era uma bomba de verdade
Outro problema para a polícia é a onda de alarmes falsos que cada caso comprovado de bomba provoca. São dezenas de telefonemas com ameaças para a Polícia Militar, a Civil e estabelecimentos privados, especialmente escolas e shoppings centers.
Ano passado, no auge da onda de ameaças - logo após a bomba encontrada no Shopping Curitiba -, a Secretaria de Segurança mobilizou toda a cúpula da área para garantir que haveria punição aos responsáveis. O então comandante da PM, coronel Daniel Mainguê, alertou que falso alarme é crime previsto no código 41 da Lei de Contravenções Penais, com pena de multa ou prisão por até seis meses. Eventualmente, exagerou, denúncias falsas poderiam ser tratadas como terrorismo.
Michel Willian/Arquivo FolhaAmeaça de bomba no Shopping Itália aconteceu dia 16 de outubro de 1996, um dia depois de uma bomba ter sido encontrada no Shopping Curitiba
A única pessoa que a polícia conseguiu flagrar passando trotes foi uma menina de nove anos de idade e o caso foi resolvido com um alerta aos pais. As ameaças continuam. A mais recente foi há duas semanas, contra a agência central do banco HSBC-Bamerindus, que precisou ser evacuada e ficou fechada por 40 minutos.
Para o delegado Sydnei Cardoso do Prado, a divulgação dos casos é que contribui para estimular a ocorrência de outros. Ele considera que o número de casos está dentro da normalidade. ‘‘Numa cidade como São Paulo, isso passaria despercebido’’, afirma.

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