Explosões deixam pelo menos 50 mortos e 200 feridos no Congo
Kinshasa, 15 (AE-AP) Pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas nas explosões ocorridas ontem no aeroporto de Kinshasa, na República Democrática do Congo (ex-Zaire), informou hoje (15) a TV belga RTL-TVI, citando funcionários da embaixada da Bélgica na capital congolesa.
Segundo a rádio estatal do Congo, um curto-circuito causou um incêndio no depósito de munições e as explosões sucessivas, que duraram mais de duas horas. Mas outras versões destacam a possibilidade de que as explosões tenham ocorrido por causa do choque de um avião contra o armazém.
No entanto, fontes diplomática suspeitam que a origem do desastre seja uma sabotagem realizada por rebeldes infiltrados na capital. De acordo com porta-vozes militares, havia 1.500 toneladas de munições e granadas que, em princípio, seriam enviadas à frente de batalha no leste do país, onde uma rebelião armada tenta derrubar o presidente congolês, Laurent Kabila.
As explosões ocorreram no mesmo dia em que deveria entrar em vigor um cessar-fogo entre as tropas governamentais e seus aliados e as forças rebeldes, que contam com o apoio das vizinhas Uganda e Ruanda.
De acordo com as fontes, entre as vítimas poderiam estar oficiais e soldados dos contingentes angolano, zimbabuano e namíbio que apóiam o presidente congolês na sua tentativa de sufocar a insurreição, iniciada em agosto de 1998. Duas tréguas foram assinadas pelas partes enfrentadas, o último no dia 8.
Testemunhas disseram que as explosões puderam ser ouvidas no centro da cidade, cerca de 20 quilômetros de distância do aeroporto, onde também podiam ser vistas espessas colunas de fumaça. Os restos de muitas vítimas estão irreconhecíveis e permanecem nos hospitais de Kinshasa aguardando a identificação dos familiares. Muitos dos feridos estão em estado crítico.
As testemunhas também relataram as cenas de pânico vividas por causa das explosões, com corpos despedaçados e espalhados pelo local do acidente.
Nas imagens veiculadas pela TV local, podiam ser vistos pelo menos três aviões na pista do aeroporto e a sala de espera seriamente danificados. O aeroporto permanecia ontem fechado ao tráfego aéreo e cercado pelas forças de segurança que impedem o acesso à área.
O porta-voz do governo congolês, Didier Mumengui, anunciou a criação de um comitê para coordenar os trabalhos de auxílio às vítimas e esclarecer a causa das explosões.
Se for confirmado que não houve sabotagem, a catástrofe será a maior registrada desde que um avião Antonov caiu em 1989 sobre um mercado de Kinshasa, causando a morte de 300 pessoas.





