Curitiba - O Paraná registrou aumento de 1.200% no número de casos de ataques a caixas eletrônicos com uso de detonadores. Nos 12 meses do ano passado foram 104 ataques com explosivos, contra apenas oito em 2011. Os dados são do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana.
Segundo o sindicato, o número total de ataques aos caixas registrados em 2012 no Estado também teve aumento expressivo, de 112%, em comparação com o ano anterior. No ano passado foram 208 ataques contra 98 em 2011. Além de explosivos, os outros ataques envolvem arrombamentos (feitos com uso de maçarico) e assaltos. Curitiba concentrou o maior número de casos com 50 ataques. Junto com os outros municípios da Grande Curitiba, que registraram ao todo 45 casos, foram 95 somente na Região Metropolitana da capital, quase metade do número registrado em todo o Estado.
O presidente do Sindicato, João Soares, diz que a migração dos casos para o interior é preocupante. ''Londrina, por exemplo, está muito visada por esses bandidos'', declarou. Na cidade foram 14 ataques, sendo 10 somente no segundo semestre de 2012. A Região Metropolitana de Londrina contabilizou 20 ataques.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes acredita que as quadrilhas encontram facilidade para agir no Estado, principalmente para obter dinamite. ''Em um minuto eles colocam os explosivos, detonam o caixa eletrônico e saem com o dinheiro. Com maçaricos demoram cerca de dez minutos. Eles se sentem mais 'seguros' com explosivos por ser mais rápido'', avaliou.
Soares reclama da falta de regulamentação que determine os locais que podem abrigar terminais de autoatendimento. Ele também diz que é necessário mais rigor na fiscalização quanto ao acesso dos bandidos aos explosivos e equipamentos de arrombamento. ''É necessário haver uma fiscalização mais efetiva a respeito do controle, armazenamento e transporte desses equipamentos.''
O delegado-chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Hamilton da Paz, explica que, apesar do alto número de ataques e quadrilhas em atividade, a Polícia Civil segue com investigações e prisões de bandidos. ''O problema é que essas pessoas montam as quadrilhas, passam o conhecimento delas para outras, que acabam por formar mais quadrilhas. Como a polícia depende de toda uma burocracia, as prisões demoram a acontecer.''
Sobre a obtenção de equipamentos para os ataques a caixas eletrônicos, principalmente explosivos, o delegado diz que muitas quadrilhas obtêm os artefatos com facilidade no Paraguai, ou compram explosivos roubados de pedreiras. As quadrilhas, completa o delegado, vêm de Santa Catarina, local de produção de terminais de autoatendimento e de onde teria saído a informação de como agir nesses equipamentos.
O Ministério Público do Paraná (MPPR) tenta firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para aumentar a segurança nos terminais de autoatendimento no Paraná. Segundo a assessoria do MP, o acordo depende de reuniões com a Polícia Militar e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e não tem data para ser finalizado.

Imagem ilustrativa da imagem Explosões de caixas eletrônicos disparam no PR
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