Sorocaba, SP, 16 (AE) - O uso de explosivos em jazidas de calcário da região pode estar provocando os tremores de terra que há uma semana vêm assustando os moradores de Sorocaba, a 98 quilômetros de São Paulo. Os fenômenos, que têm feito tremer portas e janelas, são comparados a pequenos abalos sísmicos pela população. Técnicos da Defesa Civil estadual percorreram hoje o município em busca das causas. Acompanhados por um geólogo, eles visitaram pedreiras e indústrias de cimento instaladas a poucos quilômetros da região afetada e suspeitam que os abalos estejam relacionados com o uso de explosivos nessas atividades.
Os tremores foram sentidos pela primeira vez na semana passada no bairro Jardim Novo Mundo, zona sul da cidade, entre Sorocaba e Votorantim. Foram dois abalos em um espaço de 30 segundos, fazendo balançar vidraças e trepidar objetos sobre a mesa. Assustados, os moradores saíram para as ruas. O tremor voltou a se repetir, no dia seguinte, durante o blecaute que atingiu todo o Estado. Dias depois, o mesmo fenômeno foi acusado pelos moradores do Central Parque e Jardim Tatiana, na mesma região. "Moro aqui há dez anos e nunca vi coisa igual", disse a dona de casa Maria Aparecida de Souza, do Novo Mundo. Alguns moradores chegaram a ouvir o barulho de explosão quando ocorriam os tremores.
Hoje, a equipe da Defesa Civil ouviu os responsáveis por duas pedreiras localizadas na região oeste de Sorocaba e manteve contato com as gerências de duas indústrias de cimento. Uma delas retira calcário de jazidas subterrâneas, a 600 metros de profundidade. Os dados coletados serão analisados pelo geólogo. Há suspeita de que um aumento na carga de explosivos usados numa das extrações de rochas calcária. A Defesa Civil pedirá à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) que monitore as atividades das empresas.

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