Explosão provoca tragédia na Bahia
A explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício matou 19 pessoas e feriu 48 ontem pela manhã no município baiano de Santo Antônio de Jesus, a 185 quilômetros de Salvador. De acordo com o delegado Suzano Sulivan Macedo de Carvalho, doze pessoas morreram no local e as demais nas enfermarias do Hospital Geral do Estado (HGE) e Hospital Roberto Santos, em Salvador. Os feridos leves foram medicados na cidade. Pelo menos 30 estão em estado crítico nos hospitais de Salvador. Alguns com 80% do corpo queimados.
O acidente ocorreu no bairro Costa Dajuara, na entrada da cidade, à margem da rodovia BA-001, que liga Santo Antônio de Jesus à Ilha de Itaparica. Três galpões de concreto usados pela fábrica e o depósito foram completamente destruídos. Havia pelo menos 1 tonelada e meia de pólvora do local, segundo a avaliação do Corpo de Bombeiros.
Por causa dos festejos de fim de ano, a fábrica funcionava à plena carga, com 80 pessoas trabalhando. O acidente só não fez mais vítimas porque os galpões ficam numa área a 300 metros das casas mais próximas.
Os fogos eram fabricados artesanalmente e sem qualquer cuidado com segurança. O dono da empresa, Osvaldo Bastos Prazeres, distribui a mercadoria em toda a Bahia. Ele fugiu do município logo após ser informado da tragédia. Apesar do perigo iminente de explosão, Prazeres nunca foi incomodado. Ele pagava uma média de R$ 80,00 por mês aos trabalhadores. Um dos filhos do comerciante, Gildo Bastos, disse a uma rádio do município que o pai tinha autorização do Exército para fabricar os fogos. Depois do acidente, alguns moradores tentaram invadir a casa do comerciante no centro de Santo Antônio, mas foram impedidos pela Polícia Militar.
O delegado Carvalho indiciou Prazeres por homicídio culposo e disse que a obrigação de fiscalizar a fabricação de fogos é do Exército e do Ministério do Trabalho. Ele lembra ter indiciado o mesmo comerciante por um acidente semelhante em 91, que matou duas pessoas na área urbana. Peritos da polícia técnica examinaram o local da explosão ontem e o laudo deve laudo deve sair nos próximos dias.
Mais de cem homens das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros passaram a tarde de ontem procurando corpos nos escombros. Os feridos leves foram medicados na Santa Casa de Misericórdia de Santo Antonio. Os mais graves estão em hospitais de Salvador, principalmente o HGE, que tem um setor de queimados. Duas mulheres morreram ao chegar ao hospital. A Secretaria de Saúde determinou a transferência de pacientes do HGE para outros hospitais de Salvador para atender os feridos em Santo Antônio.
Moradores do bairro Costa Dajuara disseram que a explosão ocorreu por volta das 11 horas. A dona de casa Marinalva Pereira, que mora há cerca de mil metros do local, estava fazendo uma salada no momento da tragédia. Pensei que era minha casa desabando pois tem um pessoal batendo uma laje para a construção de outro pavimento aqui, contou. Atordoada, ela foi para a rua e viu a grande coluna de fumaça e chamas na fábrica.
Havia muita gente gritando e uma confusão infernal, mas não tive coragem de chegar mais perto para ver os corpos, admitiu. Ele soube que pelo menos uma conhecida chamada Isabel morreu abraçada com a filha na fábrica. Muita gente daqui estava fazendo bico para comprar anel de formatura para o final de ano, contou.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)VítimasPolícia e voluntários colocam vítimas da tragédia em carros e ambulâncias para levar para os hospitaisAgência Estado





