Explosão no sul da Rússia mata mais de 60 pessoas
Moscou, 19 (AE-REUTERS) - Uma forte explosão hoje (19) num mercado lotado na cidade sulista russa de Vladikavkaz matou mais de 60 pessoas e feriu cerca de 100. Autoridades disseram que tratou-se de um atentado a bomba.
"A explosão ocorreu no local onde eles vendem batatas. Existe um monte de gente morta lá", afirmou por telefone um porta-voz do Ministério das Emergências da Rússia.
Imagens de televisão mostraram destroços ensanguentados de barracas com corpos espalhados em meio a batatas e roupas. Paramédicos corriam com feridos em carrinhos de mercado para ambulâncias próximas.
Autoridades de emergência em Vladikavkaz disseram que policiais acreditavam que 61 pessoas tinham morrido até a noite de hoje. O número de vítimas aumentou rapidamente durante o dia.
Ninguém assumiu responsabilidade pela explosão.
Lev Dzugayev, secretário de imprensa do governo regional chefiado por Alexander Dzasokhov, disse por telefone de Vladikavkaz que a explosão foi causada por uma bomba.
"Aconteceu numa hora quando havia muitas pessoas no mercado", afirmou.
O presidente Boris Yeltsin, que deixou o hospital na quinta-feira depois de um longo período de tratamento, falou na televisão na noite de hoje, expressando pesar e prometendo punir os responsáveis.
"Expresso minhas condolências a todos. Ampla ajuda, apoio necessário, serão entregues em nome do governo", disse Yeltsin, que parecia frustrado e cansado. Ele estava vestido com uma jaqueta e falou em pé.
"Também declaro que iremos combater (os atacantes) sem perdão. Peço aos parentes, aos amados (das vítimas) que me perdoem. Porque sou eu o culpado por tudo", afirmou.
Mais cedo, Yeltsin, o premier Yevgeny Primakov e o patriarca ortodoxo russo Alexiy II enviaram telegramas em separado expressando pesar e classificando a explosão de "um ato terrorista".
Vladikavkaz, capital da região da Ossétia do Norte, fica a cerca de 50 km da separatista Chechênia.
A guerra de independência de 21 meses da Chechênia com Moscou terminou em 1996, mas ela e províncias vizinhas continuam voláteis. O líder checheno Aslan Maskhadov deve reunir-se com Primakov em local não revelado nos próximos dias.
Yeltsin ordenou que Primakov investigasse o incidente e despachou o ministro do Interior, Sergei Stepashin, e o chefe do Serviço de Segurança Federal, Vladimir Putin, para o local.
A região é infestada de armas, e sequestros e outros crimes violentos são frequentemente noticiados na Chechênia ou na suas proximidades.
Vladikavkaz foi palco de confrontos em 1991 e 1992 entre ossetianos étnicos e ingush étnicos, dezenas de milhares dos quais foram expulsos de suas casas e não mais conseguiram retornar.





