Marie Hippenmeyer/France PressVôo 283O impacto provocou um buraco na fuselagem de 1,3 metro por 2 metros no lado direito do avião, próximo à asa. Peritos da Aeronáutica e da Polícia Federal passaram o dia fazendo filmagens e fotografias do interior do Fokker e da fuselagem arrancada com a explosão Uma explosão dentro de um Fokker-100 da TAM, no vôo 283, que sobrevoava ontem de manhã a Grande São Paulo a 2.400 metros de altura, feriu sete passageiros e matou um, que foi lançado para fora da aeronave. O corpo de Fernando Caldeira de Moura Campos, um engenheiro de 38 anos, foi encontrado em uma fazenda de Suzano (35 quilômetros a leste de São Paulo) junto com pedaços do avião.
O vôo vinha de Vitória (ES), fez escala em São José dos Campos e se dirigia a São Paulo quando houve a explosão. Foi feito um pouso de emergência no aeroporto de Congonhas. Para o esquadrão antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, todos os indícios apontam para explosivo químico - possivelmente uma bomba - como causa de explosão.
O impacto provocou um buraco na fuselagem de 1,3 metro por 2 metros no lado direito do avião, próximo à asa. Os destroços que caíram em Suzano foram suficientes para encher duas camionetes.
Aeronáutica e Polícia Federal investigam a possibilidade de a explosão ter sido causada por problemas na estrutura do avião, hipótese considerada muito remota. O vice-presidente da TAM, Luís Eduardo Falco, afirmou ontem que a empresa não tem suspeitas e vai aguardar os resultados da perícia técnica. ‘‘Não entendemos de bomba’’, afirmou. ‘‘Não podemos garantir que foi uma explosão.’ Falco informou que a companhia não recebeu nenhuma ameaça nos últimos dias, mas deixou claro que essa não é uma hipótese descartada.
Segundo ele, o problema ocorrido durante o vôo 283 não tem nenhuma relação com o sistema de trava das portas nem com a reforma realizada na Holanda para colocar uma porta traseira extra no jato. ‘‘A reforma foi do outro lado’’, afirmou. ‘‘E as três portas do lado direito, do porão de carga, chegaram em Congonhas lacradas.’
Em nota oficial, a TAM se refere a um ‘‘utensílio’’ como provável causador do acidente. Os sobreviventes relatam os 15 minutos entre a explosão e o pouso como momentos de terror.
Piloto há 18 anos, o comandante Humberto Angel Scarel passou pela primeira experiência de conduzir um avião em situação de despressurização da cabine. O comandante do Fokker-100 da TAM garantiu ontem que, apesar das proporções dos danos no jato, só teve consciência do rombo na fuselagem quando aterrissou. No painel de controle, Scarel teve um alerta vermelho, de nível intermediário, indicando abertura de uma porta no porão de carga e despressurização da cabine. ‘‘Minha única preocupação era a porta estar aberta’’, disse. ‘‘Quando vi o tamanho do rombo, me espantei do avião ter pousado tão bem.’
Logo que percebeu o alerta, o comandante pediu aos passageiros para permanecerem sentados, com os cintos de segurança atados. ‘‘Depois, segui os procedimentos ensinados no treinamento.’ Um deles é baixar a altitude do vôo. Mas, como o trecho São José dos Campos-São Paulo é muito curto, com menos de meia hora de duração, a altitude já era considerada baixa: 2,4 mil metros. Os danos poderiam ter sido maiores se o avião estivesse voando mais alto.
Os federais passaram grande parte do dia examinando o avião. Ouviram os tripulantes e os passageiros. Foram feitas filmagens e fotografias do interior do Fokker e da fuselagem arrancada e encontrada num terreno da Estrada Keita Harada, no bairro das Palmeiras, em Suzano, na Grande São Paulo. Estava próximo ao corpo de Moura Campos.
A lista dos tripulantes e passageiros foi entregue pela TAM aos policiais federais. Os passageiros que moram em São Paulo serão ouvidos na Superintendência da PF na Rua Antônio de Godoi, no centro. Os dos outros estados deverão prestar declarações nas delegacias da PF em suas cidades.
O delegado Naief Saad Neto, do 27º Distrito, do Campo Belo, também instaurou inquérito por acidente aéreo com base nas comunicações mandadas pelo Pronto-Socorro do Jabaquara e pelo Hospital São Luiz, onde seis feridos, entre eles uma tripulante, foram medicados. Todos foram vítimas da despressurização e dois apresentaram ruptura dos tímpanos.

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