Explosão mata três militares e fere 16 no Rio
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Alexandre Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio - Três militares morreram e seis ficaram gravemente feridos numa explosão, ontem pela manhã, no quartel da 1º Companhia de Engenharia Pára-Quedista, na Vila Militar de Deodoro, na zona oeste do Rio. Outros dez militares, levemente feridos, foram atendidos no Hospital de Guarnição da vila.
Um petardo explodiu por volta das 8h30, quando os militares preparavam explosivos para um treinamento, informou o tenente-coronel Gerson Pinheiro Gomes, porta-voz do Comando Militar do Leste. Entre as vítimas estão oficiais, sargentos, cabos e soldados. Um dos militares morreu na hora. Os outros dois morreram ao chegar aos hospitais de Guarnição e Central do Exército (HCE).
O acidente aconteceu num dos galpões da unidade, dentro da área da Brigada Pára-Quedista. Segundo Gomes, os militares provavelmente manuseavam blocos do explosivo trinitrotolueno (TNT), mas somente a perícia poderá determinar o que causou a explosão. ''É prematura qualquer conclusão. Esse explosivo é utilizado de várias formas. Explosões acidentais são muito raras. Nosso pessoal está acostumado a trabalhar com esse material'', disse o porta-voz. A explosão pode ter ocorrido no momento da adaptação das espoletas que funcionam como detonadores ou por instabilidade do material.
Feridos - Cinco dos seis feridos graves foram levados de helicóptero para a unidade hospitalar central da Força, que fica em Benfica, na zona norte. Até o fim da tarde cinco militares haviam sido liberados e quatro permaneciam em estado grave no Hospital Central do Exército. Pelo menos um deles foi mutilado. Outro ferido foi transferido para o Hospital da Aeronáutica, na Ilha do Governador, com 70% do corpo queimado.
Pouco depois do acidente familiares de militares começaram a chegar ao Hospital de Guarnição em busca de notícias. O Comando Militar do Leste fez contato com cada uma das famílias dos 19 militares envolvidos.
Na porta do HCE, Luis Cláudio Nascimento, pai do soldado Thiago do Nascimento, contou que o filho teve os dois pulmões perfurados. ''A vida do meu filho está nas mãos de Deus'', disse. De acordo com o tenente-coronel Gerson Pinheiro Gomes, muitos ferimentos foram provocados pelo deslocamento de ar resultante da explosão.
A 1º Companhia de Engenharia Pára-Quedista é uma unidade operacional cuja missão é apoiar e facilitar o deslocamento das tropas pára-quedistas. Para remover obstáculos, os homens dessa unidade recorrem frequentemente a artefatos explosivos. Segundo Gomes, a preparação de explosivos para treinamento faz parte da rotina da unidade.
O prédio térreo onde aconteceu a explosão teve parte do teto e das paredes danificada. A área foi isolada para o início do trabalho dos peritos do Exército. Um inquérito policial militar deve determinar as causas do acidente em 30 dias.
A explosão foi ouvida nos bairros vizinhos à Vila Militar e assustou moradores. A professora Deise Ferreira, de 38 anos, mora a cerca de um quilômetro da unidade, entre os bairros de Sulacap e Ricardo de Albuquerque. Ela contou que acordou com o barulho. ''Todas as janelas da minha casa tremeram e eu pulei da cama. Achei que era alguma coisa aqui perto'', disse. O vizinho dela, o DJ Antônio Maciel Filho, contou que os moradores estão acostumados com o barulho dos treinamentos, mas que o estrondo de ontem preocupou. ''Senti até uma dor no ouvido. Quem estava perto com certeza se feriu gravemente.''
Acidentes - Outros acidentes já ocorreram em dependências das Forças Armadas no Rio. No dia 19 de novembro de 2001, o soldado Rosemberg Leôncio Correia Dias, de 19 anos, foi morto, com um tiro de fuzil, dentro do 25º Batalhão Logístico do Exército, em Realengo, zona norte. O disparo, acidental, foi feito por um colega dele, o soldado Rodrigo Silvério Dantas, também de 19 anos.
Em 16 de julho de 1995, toneladas de explosivos de três paióis explodiram no Centro Almirante Antônio Maria de Carvalho da Marinha, na Ilha do Boqueirão, junto a Ilha do Governador, na zona norte. A unidade guardava as principais armas de guerra do Ministério da Marinha. Vinte e três pessoas, entre civis e militares, ficaram feridas. As explosões foram ouvidas durante cinco horas e seguidas de um grande incêndio.


