Explosão mata 1 e fere 18 em SP
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 1997
Clayton Levy Agência Estado 
CAMPINAS - Uma pessoa morreu e outras 18 ficaram feridas numa explosão ocorrida ontem de madrugada na Cerâmica Batistella, em Limeira, a 156 quilômetros de São Paulo. Segundo os peritos, o acidente foi causado por causa de um vazamento de gás num dos dois reservatórios que abastecem os fornos da fábrica. Com a explosão, o fogo se espalhou e destruiu quase toda a fábrica, que ocupa um quarteirão inteiro no bairro Tatu.
Testemunhas disseram que o acidente ocorreu por volta da 1 hora, quando 35 funcionários do turno da noite trabalhavam na fábrica. Foram ouvidas duas fortes explosões, que deram origem ao incêndio com chamas de até 20 metros de altura. O fogo destruiu dois depósitos e dois caminhões que estavam no pátio da fábrica. O estoque de pisos e revestimentos virou entulho.
O funcionário José Fernandes Filho, de 49 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu ontem de manhã no Hospital da Unimed, em Limeira. Segundo os médicos, ele sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus em 95% do corpo. Até as 14h30 de ontem, outros sete pacientes permaneciam em estado gravíssimo, segundo os médicos.
Um dos casos mais graves era o do engenheiro Carlos Alberto Lala, que teve queimaduras em 60% do corpo. No momento do acidente, ele passava em frente à fábrica dirigindo o seu Gol. Com a explosão, o carro pegou fogo, causando ferimentos graves ao engenheiro. Ele foi transferido para a Santa Casa de São Carlos, porque os hospitais de Limeira não estão equipados para atender queimados.
Os outros pacientes em estado grave também aguardavam remoção para hospitais de Piracicaba, São Carlos, Ribeirão Preto e São Paulo. Segundo os médicos, vários ainda correm risco de vida. As outras vítimas permanecem internadas na Santa Casa e no Hospital da Unimed de Limeira.
O diretor-superintendente da empresa, Mauro Batistella, acredita que a explosão tenha sido mesmo provocada pelo vazamento de gás. A manutenção do equipamento é feita pela Ultragás. Um dia antes da explosão, técnicos da empresa estiveram no local para fazer reparos.
Funcionários da cerâmica disseram que antes da explosão sentiram um forte cheiro de gás. Segundo os peritos da polícia civil, o vazamento pode ter ocorrido por um defeito na válvula de um dos tanques, com capacidade para 20 toneladas. Vamos fazer uma avaliação rigorosa para saber o que aconteceu, disse o gerente da Ultragás, Roberto Bacário. A Cerâmica Batistella é uma das mais tradicionais da cidade, com 40 anos de funcionamento.


