Nova York - Uma explosão provavelmente acidental e causada por componentes químicos destruiu parte do interior e abalou as estruturas de um prédio de Manhattan na manhã de ontem, ferindo 32 pessoas, dez delas gravemente, e assustando Nova York, ainda traumatizada por 11 de setembro.
‘‘Não há absolutamente nenhuma razão para crer neste momento em nada além de um trágico acidente’’, tranquilizou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Declaração parecida foi dada pelo porta-voz da Força-Tarefa Anti-Terrorismo do FBI (polícia federal norte-americana), que investigava a área.
‘‘Assim que ouvi o barulho, pensei logo em bomba’’, disse Alex Vargas, 28, que assistia a uma aula no oitavo andar de uma escola vizinha quando o estouro aconteceu, perto das 11h29 (12h29 de Brasília). ‘‘Nós fomos para a janela, vimos pedaços de cimento caindo na rua e pessoas gritando, então saímos todos correndo pelas escadas.’’
O ruído vinha do subsolo da empresa Kaltech, que fabrica placas e sinais de construção, cuja sede fica num prédio de 10 andares e 80 anos de idade na rua 19, no Chelsea, bairro na parte sudoeste de Manhattan. A princípio, chegou-se a se pensar que uma caldeira houvesse explodido, mas a hipótese foi descartada.
De acordo com o chefe do Corpo de Bombeiros, Nicholas Scoppetta, a origem do acidente deve estar nos galões de acetona que a empresa abrigava no porão do prédio e que seriam utilizados na confecção das placas e sinais.
Diversas agências municipais e federais, que chegaram ao local em tempo recorde, esvaziaram os prédios do quarteirão e cercaram as ruas. As vítimas foram levadas a quatro hospitais na vizinhança e, dos dez internados em estado grave, seis ainda corriam risco de vida até a conclusão desta edição.
‘‘Ainda é muito cedo para dizer se todos vão conseguir viver’’, disse Bloomberg. Os ferimentos são principalmente lesões na cabeça, causadas pela queda de parte dos dois primeiros andares, que cederam com o impacto vindo do porão. Não havia sinal de incêndio e o chefe do Corpo de Bombeiros disse não ter visto danos na estrutura da construção.
‘‘Quando ouvi o barulho, que era parecido com o de um furacão, me escondi embaixo da mesa’’, disse Jeff Gross, que estava na Kaltech no momento da explosão. Como ele, várias pessoas que passavam pela área pensaram que se tratasse de outro atentado.
O impacto, que foi descrito por muitos como parecido com o de um terremoto, pôde ser sentido a até quatro quarteirões.

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