Uma explosão ocasionada por uma concentração de gás numa das estufas da empresa de pisos e telhas Ivaí, instalada no km 8 da Rodovia 317, em Maringá (PR), deixou oito pessoas feridas e um funcionário em estado gravíssimo de saúde.
O acidente aconteceu na manhã de ontem, por volta das 7h45, quando o trabalhador Marciano Martins de Oliveira, 27 anos, foi desligar a estufa que teria permanecido por seis horas ligada. O procedimento, de acordo com funcionários da fábrica, é realizado todos os dias para a fabricação de telhas.
Cinco das vítimas, com problemas de audição ocasionados por conta do barulho da explosão, foram encaminhadas ao Hospital Santa Rita de Maringá. Uma delas, o motorista Ageu Costa, 57 anos, que presta serviço de frete há dois anos para fábrica, fraturou a perna, atingida por tijolos do muro da estufa, e precisou passar por cirurgia.
Outras três vítimas foram encaminhadas com ferimentos leves para o Hospital Metropolitano de Sarandi e a vítima mais grave foi levada para a Santa Casa de Maringá. Oliveira sofreu traumatismo craniano, além de traumas múltiplos pelo corpo. O funcionário passou por uma cirurgia na cabeça, se encontra internado na UTI do hospital em estado gravíssimo e corre risco de morte.
Funcionários de uma empresa de cartuchos para computadores, localizada ao lado da fábrica, que chegavam para trabalhar no momento da explosão, vivenciaram o drama dos trabalhadores que se encontravam próximo à estufa, alocada a cerca de dez metros do muro que separa a empresa da fábrica. ''Eu estava chegando e ouvi a explosão. Quando cheguei aqui perto vi o homem caído, com um pedaço do muro em cima do peito e com muito sangue na cabeça. Ele não conseguia gritar, estava começando a se afogar com o próprio sangue'', comentou um trabalhador da empresa de cartuchos, que teve as atividades paralisadas no dia de ontem por conta de vários vidros e divisórias quebradas.
A auxiliar de produção Fabiana Cláudia Fernandes de Oliveira, estava entrando na empresa na hora da explosão. Ela foi arremessada no chão e teve um ferimento grave num dos ouvidos. ''O barulho foi muito forte. Senti muita dor no meu ouvido na hora. Fui no médico e ele acredita que não escutarei mais. Vou ter que voltar para fazer novos exames, mas ele acredita que eu não voltarei a escutar com este ouvido'', disse.
A explosão, que deixou parte da fábrica destruída, aconteceu numa das três estufas utilizadas pelos funcionários. Segundo o encarregado do setor, Antônio Bergamo, todos os dias as estufas permanecem por cerca de seis horas ligadas para aquecer as telhas que entram no local ainda ''moles''. Os funcionários se revezam, por meio de troca de turnos, para ligar e desligar as estufas. ''O Oliveira chega todos os dias nesse horário. Ele ia desligar a estufa para a gente ligar novamente lá por volta das 13h'', explicou. Com a força da explosão, o funcionário foi jogado a cerca de oito metros de distância, se chocando contra um muro e uma árvore. Tijolos e telhas foram arremeçadas contra ele, o que ocasionou os traumas múltiplos.
O sócio-proprietário da fábrica, Valdemar Matos, disse que há 12 anos as estufas funcionam normalmente e que nunca houve nenhum tipo de acidente no local. ''Não sabemos a causa. O estranho é que explodiu na hora que ele foi desligar. Foi uma fatalidade'', comentou. Um funcionário de uma empresa de seguros da fábrica esteve na manhã de ontem acompanhando as famílias das vítimas nos hospitais.
Peritos da Polícia Científica estiveram no local para fazer a perícia e tentar descobrir o que teria ocasionado o acidente. O delegado operacional de Maringá, Laércio Cardoso Fahur, disse que a polícia vai acompanhar o caso para verificar se não houve negligência por parte da fábrica. ''Vamos verificar quais eram as condições de segurança também. Os donos podem responder por lesão corporal, mas se houver morte poderão responder por homicídio culposo'', disse.

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