Explosão em Uberlândia fere 5 pessoas
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
Uma grande explosão de causa ainda desconhecida destruiu, na madrugada de ontem, imóveis localizados em um trecho de mais de dois quarteirões na região central de Uberlândia, Triângulo Mineiro. Cinco pessoas ficaram feridas. Segundo o Comando de Operações de Corpo de Bombeiros (Cobom), a explosão ocorreu por volta das 3h20, em uma casa de jogos eletrônicos, na avenida Floriano Peixoto. As paredes desabaram e atingiram uma videolocadora e uma loja de calçados vizinhas ao local. Nos três estabelecimentos, o prejuízo foi total. Houve incêndio em uma loja de caça e pesca, também próxima.
Pelo menos 20 imóveis foram atingidos em um raio de 300 metros, entre prédios e casas comerciais, onde houve vidros quebrados e outros estragos, informou o sargento Claudio, do Cobom, que quis se identificar apenas pelo primeiro nome. Dois homens, uma mulher e duas crianças sofreram lesões e foram levados para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. No início da tarde, as crianças, cujos nomes não foram informados, e Márcia Fátima de Castro, de 45 anos, que passava na frente da loja quando houve a explosão, já haviam sido liberadas. Nélson Cobo Victor, de 34 anos, dono do fliperama, e José Machado de Oliveira Júnior, 30 anos, permaneciam internados. Segundo a polícia, Oliveira também passava na frente da loja, no momento da explosão, e foi atingido por um escombro na cabeça.
De acordo com a recepção do HC, Cobo estava no setor de queimados, com 40% do corpo atingido e José Machado submetia-se a uma cirurgia neurológica. Seu estado era considerado muito grave. Após a explosão, 35 policiais militares e bombeiros foram para o local, em sete viaturas e dois carros-pipa. Por volta das 13 horas, todo o efetivo continuava na avenida Floriano Peixoto, removendo os escombros e fazendo a proteção dos estabelecimentos comerciais.
Policiais do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar, integrantes do esquadrão anti-bombas da unidade, e da Delegacia de Armas, Munições e Explosivos seguiram ontem à tarde, de Belo Horizonte para Uberlândia, com o objetivo de auxiliar a polícia local nas investigações sobre a explosão. Segundo vizinhos da casa de fliperamas, o proprietário da loja armazenava dinamite no local, o que explicaria a extensão do acidente. Victor, que até ontem estava sem condições de prestar depoimento, seria dono também de uma pedreira no município.
O coronel do Exército Gerson Menandra Garcia de Freitas, comandante do 36º Batalhão de Infantaria Motorizada, informou que, se confirmada a hipótese de acordo com a qual a explosão foi provocada por dinamites, Victor deverá sofrer processo por armazenamento ilegal de material.
Para o comandante, foi um milagre o registro apenas de feridos, e somente dois em estado grave, diante do grande impacto da explosão. A sorte, segundo o oficial, foi que a região é predominantemente comercial e, em razão do horário em que ocorreu e do feriado de Carnaval, quase ninguém estava nas proximidades. Um relatório mais detalhado sobre as causas do acidente deve ser divulgado hoje, pelos peritos militares e civis, que passaram o dia fazendo uma varredura no local, atrás de vestígios de explosivos.


