Explosão em silo fere quatro operários
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terça-feira, 19 de novembro de 2013
Micaela Orikasa e Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Londrina - Foi em um clima de tensão que funcionários do grupo ATT Soluções em Transbordo e Logística, acompanharam o trabalho do Corpo de Bombeiros para resgatar quatro trabalhadores atingidos por uma explosão em uma unidade de transbordo de um silo da empresa, localizada na zona oeste, em frente ao Parque Ney Braga.
As vítimas faziam uma limpeza de rotina no túnel e pé de elevador quando ocorreu a explosão. Três operários conseguiram subir os 20 metros de altura, mesmo com queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. A quarta vítima ficou presa no local e só foi resgatada quarenta minutos depois, por volta das 11h20.
No momento em que o Siate e Samu chegaram ao local, três vítimas estavam no pátio, com muita dor. Duas delas foram entubadas por apresentarem queimaduras de face e o quarto trabalhador só foi resgatado com um esforço mútuo de funcionários da empresa e dos bombeiros. Ele apresentava um nível de consciência muito baixo e precisou ser sedado e entubado. "A gente ajudou porque somos todos amigos", comentou um trabalhador.
Segundo o sargento Ricarte, o acesso ao túnel foi dificultado pela falta de luz e a presença de bastante fumaça. Com a ajuda de uma corda, foi possível erguer a tábua na qual o trabalhador foi amarrado. Todas as vítimas foram imobilizadas, atendidas com compressas úmidas e oxigênio.
Duas delas foram encaminhadas ao Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário (HU) e as demais foram para a Santa Casa e Hospital Evangélico. A preocupação maior dos socorristas era com as queimaduras de face, pois, de acordo com o soldado Martins, podem causar um edema de glote e provocar uma parada cardíaca.
O proprietário da ATT, Sérgio Bonocielli estava no local no momento da explosão. "Vi uma fumaça e fiquei sabendo que havia funcionários lá", comentou, reforçando que todo atendimento já estava sendo prestado às famílias das vítimas. "Ainda não sabemos o que causou a explosão. Infelizmente o milho é imprevisível, pois ele solta uma película que é altamente explosiva. É por isso que o processo de limpeza é diário, para evitar que aconteça o pior", declarou.
De acordo com o proprietário, o último acidente grave havia sido registrado 15 anos atrás. A ATT atua há 35 anos em Londrina, movimenta de 5 mil a 8 mil toneladas de grãos diariamente e emprega cerca de 100 funcionários, além de terceirizados.
Até o final da tarde de ontem, o estado de saúde das quatro vítimas era considerado grave. Vicente Afonso Macedo, de 48 anos, teve mais de 50% do corpo atingido por queimaduras de terceiro grau e recebia ventilação mecânica. Internado e inconsciente na UTI da Santa Casa, teria de ser transferido ao CTQ, mas não havia mais vaga. Já Bruno de Paiva Melo, internado no Hospital Evangélico, teve 30% do corpo queimado, principalmente os membros superiores. Apesar do estado de saúde regular, as queimaduras de segundo grau do paciente inspiravam cuidados intensos.
Os dois pacientes encaminhados ao HU esperavam por vagas no CTQ, que possui apenas seis leitos de UTI. Porém, segundo a chefia da unidade, a vaga de um dos pacientes internados antigos na unidade, que já está com quadro mais estável, seria cedida a uma das vítimas em estado mais grave. A outra vítima seria transferido à UTI geral, até uma possível abertura de leito na ala de queimados. Amós Oliveira Ferreira, de 30 anos, e Juscelino Ferreira da Silva, de 43, estavam em estado grave, respirando com ajuda de aparelhos e ambos com queimaduras de terceiro grau.


