Moscou, 09 (AE-AP) - A explosão ocorrida no início da madrugada de hoje (09) em um edifício residencial num subúrbio de Moscou que matou pelo menos 32 pessoas, entre elas três crianças, pode ter sido um ato terrorista, admitiram altos funcionários do serviço de segurança russo e o próprio prefeito de Moscou, Yuri Lujkov.
Até à noite de hoje havia cerca de 80 moradores desaparecidos. Ficaram feridas 249 pessoas, sendo que 72, incluindo 19 crianças, estavam hospitalizadas. Não há esperança de encontrar sobreviventes porque um incêndio seguiu-se à explosão. O prédio está localizado num complexo residencial do subúrbio operário de Petshalniki, a sudeste de Moscou.
"A natureza dos danos e o número de vítimas indicam que um artefato explosivo foi colocado no edifício", assinalou em um comunicado o Serviço Federal de Segurança (FSB, órgão sucessor da KGB). Pode ter sido uma bomba ou material de elevada combustão estocado irregularmente.
De qualquer modo, a hipótese inicial de escape de gás, tida como quase certa no início da madrugada, foi descartada. O subchefe de Imprensa do FSB, Vladimir Stavitski, explicou que a explosão ocorreu numa loja de tintas no primeiro andar e foi causada por explosivos industriais equivalentes a 300-400 quilogramas de TNT ou uma grande quantidade de substâncias explosivas armazenadas. Stavitski não esclareceu se o material era parte de uma bomba ou fora estocado e detonou acidentalmente.
A explosão derrubou várias partes do prédio e causou danos em 15 edifícios vizinhos, num dos quais morreram seis pessoas.
Lujkov visitou o local e declarou à imprensa que um "ato terrorista" parece ser a mais provável causa da explosão. "É possível dizer, com um alto grau de certeza, que um ato terrorista ocorreu na Rua Guryanov", afirmou o prefeito moscotiva a uma emissora de TV. Ele acrescentou que os especialistas não descartam a possibilidade de um atentado de extremistas islâmicos em luta contra o governo central no Daguestão.
Essa tese ganhou força ao longo do dia porque a agência de notícias russa Interfax recebeu um telefonema de uma pessoa de forte sotaque caucasiano que assumiu a responsabilidade pela explosão como um ato de vingança pela ação das tropas russas no Cáucaso. "O que ocorreu agora em Moscou e antes em Buinaksk é uma resposta aos bombardeios dos pacíficos povos da Chechênia e do Daguestão", disse o homem à Interfax.
As autoridades não se pronunciaram sobre a credibilidade da chamada. Entretanto um correspondente do serviço internacional da emissora Deutsche Welle ( A Voz da Alemanha) informou ter recebido no começo da semana um telefonema de um homem advertindo de que haveria três explosões Moscou.
A aviação da Rússia está tentando desalojar milhares de rebeldes islâmicos que tomaram vários povoados no sudoeste daguestanês no mês passado, depois de infiltrarem-se pela república separatista da Chechênia. Em represália, no sábado, um carro-bomba foi colocado diante de um edifício habitado por militares russos em Buinaksk, no Daguestão, matando 60 pessoas. Presume-se que tenha sido uma ação dos guerrilheiros islãmicos.
Outro atentado recente, não solucionado pela polícia, foi a explosão de uma bomba num shopping center de Moscou, na semana passada, na qual 1 pessoa morreu e 40 ficaram feridas. A princípio, a ação foi atribuída a uma organização anticonsumista, mas depois um grupo rebelde islâmico daguestanês assumiu sua autoria. Nas explosões ocorridas em Moscou não está afastada a hipótese de um ato do crime organizado.

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