Curitiba - A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a explosão que matou uma criança e feriu três pessoas em um apartamento em Curitiba, em junho, e indiciou os proprietários e o técnico da empresa de impermeabilização que atuava no local por explosão, homicídio qualificado e lesões corporais graves. O relatório foi encaminhado nesta quarta-feira (28) ao Ministério Público, que definirá se eles serão ou não denunciados na Justiça.

Explosão ocorreu em apartamento no bairro Água Verde deixou um morto e três feridos
Explosão ocorreu em apartamento no bairro Água Verde deixou um morto e três feridos | Foto: Polícia Civil/Divulgação

O delegado do caso, Adriano Chofhi, concluiu que os proprietários da empresa tinham “total conhecimento” dos riscos do produto que estava sendo utilizado para impermeabilizar um sofá no dia do acidente.

A explosão ocorreu na manhã do dia 29 de junho, no bairro Água Verde. A investigação concluiu que o acidente ocorreu quando uma moradora do apartamento acendeu um fogão “vinte ou trinta minutos depois” de o técnico iniciar a impermeabilização, utilizando uma mistura altamente inflamável e volátil, que lançou “micropartículas” e vapores no apartamento. O local tinha janelas fechadas, e o fogo funcionou como ignição. A perícia concluiu que a causa mais provável da explosão foi o manuseio inadequado do líquido em um local de pouca ventilação.

Para a polícia, os proprietários da empresa “tinham total conhecimento do produto volátil e inflamável utilizado nas impermeabilizações” e falharam em fornecer informações adequadas sobre os riscos da aplicação em um apartamento com moradores presentes. A mistura, que incluía as substâncias hexano e isopropanol, era fabricada de forma clandestina na própria empresa, que também não tinha alvará para a atividade.

Segundo o delegado, depoimentos de funcionários indicaram que não eram adotadas medidas preventivas e não havia treinamento adequado. O funcionário, também vítima de lesão corporal, foi indiciado juntamente com os donos porque, segundo o delegado, tinha conhecimento do perigo, “demonstrando que não tomou as devidas cautelas e assumiu o risco da prática desses crimes”.

Para Chofhi, o técnico omitiu informações e apresentou uma “versão frágil” sobre ter orientado os moradores a respeito das medidas de segurança necessárias durante a aplicação. O depoimento do funcionário entrou em contradição com as versões dos moradores e com apontamentos da perícia. Os proprietários da empresa também respondem pelas lesões contra o funcionário.

O resultado morte, o resultado explosão e o resultado lesão corporal estavam no âmbito de conhecimento deles, e os três assumiram o risco”, disse Chofhi, em entrevista coletiva nesta quarta (28). A soma das penas mínimas dos crimes pelos quais os donos e o técnico foram indiciados chega a 17 anos de prisão. A Justiça negou a prisão preventiva dos acusados pedida pela polícia.

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