Explosão em Curitiba alerta para cuidados com produtos químicos
Desastre em prédio matou criança de 11 anos e deixou três feridos em estado grave
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de julho de 2019
Desastre em prédio matou criança de 11 anos e deixou três feridos em estado grave
Vitor Struck e Viviani Costa 
A Polícia Civil de Curitiba abriu um inquérito civil para apurar as causas da explosão que vitimou um menino de 11 anos e deixou outras três pessoas gravemente feridas enquanto um produto para impermeabilização estava sendo aplicado no sofá do apartamento, no bairro Água Verde. De acordo com a oficial de comunicação social do Corpo de Bombeiros, Rafaela Diotalevi, nenhuma hipótese está descartada, no entanto já é possível fazer um alerta com relação à contratação de serviços que porventura utilizem produtos de limpeza inflamáveis.

“Ao contratar um serviço como esse, é importante ter a informação sobre qual tipo de produto será utilizado. Quando o produto é à base de água, ele não traz riscos. Já o produto à base de solvente seca mais rápido, mas é inflamável. Esse tipo de serviço deve ser feito em ambientes bem arejados e não se deve produzir nenhum tipo de fonte de calor como cozinhar ou acender uma lâmpada durante a execução do serviço. O ideal é que a impermeabilização seja feita na própria empresa ou na parte externa do imóvel. Se o serviço for feito dentro do apartamento ou da residência, o indicado é que as pessoas não permaneçam em casa durante essa impermeabilização”, alertou a oficial do Corpo de Bombeiros.
De acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), produtos químicos ou derivados do petróleo, por exemplo, devem apresentar a sua composição FISPQ (Ficha de Informação de Segurança para Produtos Químicos). Além disso, os fabricantes devem alertar sobre situações como a formação de uma atmosfera gasosa no local da aplicação ou pulverização do material químico. Já o regramento para a utilização de produtos inflamáveis em empresas, local onde este serviço deveria ter sido realizado, está presente na Norma Regulamentadora 20, de 2012.
Segundo apurou a FOLHA, entre o início de 2012 e outubro de 2018, foram 3,4 mil notificações de acidentes de trabalho em Londrina. Nove profissionais morreram no exercício de suas atividades ou posteriormente. Também de acordo com o Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho, plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego, 320 acidentes foram em condomínios prediais, sendo 95 relacionados à limpeza de prédios e condomínios. Já quando pesquisada as consequências destes acidentes, é possível concluir que 549 provocaram queimaduras e escaldaduras.
De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, um novo boletim médico sobre o estado de saúde do casal Raquel Lamb, 23, e Gabriel Araújo, 27, e do técnico Caio Santos, 30, será divulgado na manhã desta terça-feira (2). Em princípio, Lamb teve 55% do corpo queimado e permanece internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave. Já o esposo dela sofreu queimaduras em 30% do corpo. O caso mais grave é de Caio Santos, responsável pela impermeabilização. Ele teve 65% do corpo queimado e seguia internado na UTI. Matheus Henrique Lamb, 11, irmão de Raquel, foi lançado para fora do imóvel, que fica no 6º andar e não resistiu aos ferimentos.
O prédio de seis andares, 24 apartamentos e 50 moradores, foi interditado após vistoria realizada pela Comissão de Segurança em Edificações de Imóveis, da Prefeitura de Curitiba e, por enquanto, os moradores não sabem quando e se poderão continuar morando na edificação.
De acordo com Diotalevi, a manutenção da rede de gás deve ser periódica e começar pela central de fornecimento até o ponto final para a utilização do produto no apartamento ou residência. “Se for identificado algum tipo de vazamento, é preciso arejar bem o ambiente e desligar os disjuntores de energia elétrica. Qualquer faísca pode gerar uma explosão. Também é indicado retirar o botijão do local com ajuda especializada para que o produto vaze ao ar livre e reduza os riscos de acidentes”, destacou.


