A Polícia Civil de Curitiba abriu um inquérito civil para apurar as causas da explosão que vitimou um menino de 11 anos e deixou outras três pessoas gravemente feridas enquanto um produto para impermeabilização estava sendo aplicado no sofá do apartamento, no bairro Água Verde. De acordo com a oficial de comunicação social do Corpo de Bombeiros, Rafaela Diotalevi, nenhuma hipótese está descartada, no entanto já é possível fazer um alerta com relação à contratação de serviços que porventura utilizem produtos de limpeza inflamáveis.

Explosão ocorreu enquanto um produto para impermeabilização estava sendo aplicado no sofá do apartamento
Explosão ocorreu enquanto um produto para impermeabilização estava sendo aplicado no sofá do apartamento | Foto: Franklin de Freitas/Agência Estado/29-6-2019

“Ao contratar um serviço como esse, é importante ter a informação sobre qual tipo de produto será utilizado. Quando o produto é à base de água, ele não traz riscos. Já o produto à base de solvente seca mais rápido, mas é inflamável. Esse tipo de serviço deve ser feito em ambientes bem arejados e não se deve produzir nenhum tipo de fonte de calor como cozinhar ou acender uma lâmpada durante a execução do serviço. O ideal é que a impermeabilização seja feita na própria empresa ou na parte externa do imóvel. Se o serviço for feito dentro do apartamento ou da residência, o indicado é que as pessoas não permaneçam em casa durante essa impermeabilização”, alertou a oficial do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), produtos químicos ou derivados do petróleo, por exemplo, devem apresentar a sua composição FISPQ (Ficha de Informação de Segurança para Produtos Químicos). Além disso, os fabricantes devem alertar sobre situações como a formação de uma atmosfera gasosa no local da aplicação ou pulverização do material químico. Já o regramento para a utilização de produtos inflamáveis em empresas, local onde este serviço deveria ter sido realizado, está presente na Norma Regulamentadora 20, de 2012.

Segundo apurou a FOLHA, entre o início de 2012 e outubro de 2018, foram 3,4 mil notificações de acidentes de trabalho em Londrina. Nove profissionais morreram no exercício de suas atividades ou posteriormente. Também de acordo com o Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho, plataforma do Ministério do Trabalho e Emprego, 320 acidentes foram em condomínios prediais, sendo 95 relacionados à limpeza de prédios e condomínios. Já quando pesquisada as consequências destes acidentes, é possível concluir que 549 provocaram queimaduras e escaldaduras.

De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, um novo boletim médico sobre o estado de saúde do casal Raquel Lamb, 23, e Gabriel Araújo, 27, e do técnico Caio Santos, 30, será divulgado na manhã desta terça-feira (2). Em princípio, Lamb teve 55% do corpo queimado e permanece internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave. Já o esposo dela sofreu queimaduras em 30% do corpo. O caso mais grave é de Caio Santos, responsável pela impermeabilização. Ele teve 65% do corpo queimado e seguia internado na UTI. Matheus Henrique Lamb, 11, irmão de Raquel, foi lançado para fora do imóvel, que fica no 6º andar e não resistiu aos ferimentos.

O prédio de seis andares, 24 apartamentos e 50 moradores, foi interditado após vistoria realizada pela Comissão de Segurança em Edificações de Imóveis, da Prefeitura de Curitiba e, por enquanto, os moradores não sabem quando e se poderão continuar morando na edificação.

De acordo com Diotalevi, a manutenção da rede de gás deve ser periódica e começar pela central de fornecimento até o ponto final para a utilização do produto no apartamento ou residência. “Se for identificado algum tipo de vazamento, é preciso arejar bem o ambiente e desligar os disjuntores de energia elétrica. Qualquer faísca pode gerar uma explosão. Também é indicado retirar o botijão do local com ajuda especializada para que o produto vaze ao ar livre e reduza os riscos de acidentes”, destacou.

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