Explosão de granada mata três no Rio
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de janeiro 
Três pessoas morreram e três ficaram gravemente feridas na explosão de uma granada, durante tiroteio na madrugada de ontem entre grupos rivais de traficantes, na Favela da Rocinha, zona sul do Rio. Segundo a polícia, embora não tenham sido identificados, dois dos mortos seriam traficantes e o corpo de um deles foi encontrado pelos policiais no porta-malas do Parati do comerciante José Tinho Barros. Preso e interrogado, Barros alegou que foi obrigado pelos traficantes a levar o corpo e deixá-lo perto de um dos acessos da Rocinha.
O entregador de pizzas José Alves de Souza Pinto, de 27 anos, morreu no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon. O tiroteio deixou em pânico os moradores da Rocinha e dos prédios vizinhos à favela.
De acordo com versão dos policiais militares, o confronto começou por volta das 23 horas de quarta-feira e se estendeu até a madrugada, no local conhecido como Rua do Valão, uma das partes mais alta da favela. O tiroteio começou quando um grupo de criminosos, chefiado pelo líder do comércio de drogas e armas da Rocinha, Milton Ferreira da Silva, o Zico ou Zito, cercou os rivais, ligados ao traficante conhecido como Soldado. A briga é pela posse dos pontos-de-venda de drogas na favela.
Além de matar três pessoas, a explosão da granada e o tiroteio deixaram feridos Geneci Soares Gomes, de 26 anos; Luís Carlos Peçanha, de 19 anos, e José André de Souza Pinto, de 18 anos. Eles estão internados em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), do Hospital Municipal Miguel Couto, com tiros no abdome e nas pernas.
A polícia deve ouvir parentes do entregador de pizza José Alves de Souza Pinto, para saber o que ele fazia na favela ou se tinha ligações com os traficantes. Os policiais ainda não sabem se ele estava entregando pizza no momento do tiroteio ou se mora na Rocinha.
Em depoimento na 15ª Delegacia Policial, na Gávea, o comerciante José Tinho Barros alegou que foi obrigado pelos traficantes a colocar um dos corpos dentro de seu carro e deixá-lo em um dos acessos à favela para mais tarde ser recolhido pela polícia. Temendo represálias, os moradores não quiseram comentar o tiroteio.
Turismo - A imagem turística da cidade do Rio está sendo vendida de forma errada, tanto para o mercado interno, quanto para o exterior. Apesar de mundialmente famosa por suas belezas naturais, o verdadeiro e inexplorado potencial turístico da cidade é cultural. Esta foi a principal conclusão da primeira fase de execução do Plano Maravilha, um planejamento estratégico para a implementação do setor turístico na cidade, anunciado ontem pela Riotur.
Nós estamos vendendo uma cidade para se contemplar, atestou Gérard Bourgeaiseau, presidente da Riotur. Ao invés disso, temos de vender uma cidade para se viver, acrescentou, afirmando que, dos 1.609 recursos turísticos da cidade, 73% são culturais e somente 27% são naturais. Nesta primeira fase, especialistas espanhóis responsáveis pela reformulação da atividade turística em Barcelona, procuraram fazer um diagnóstico do turismo no Rio.


