Alcântara, MA - A Aeronáutica trabalha com as hipóteses de choque ou interferências de ondas eletromagnéticas para justificar a explosão que destruiu o Veículo Lançador de Satélite (VLS), em Alcântara, onde morreram 21 pessoas, na sexta-feira passada. Quase toda a elite do setor aeroespacial brasileiro está entre as vítimas. Os técnicos que trabalham nas investigações descartam uma falha mecânica nos equipamentos, mas admitem que podem não chegar a uma definição sobre o que aconteceu.
''Vamos fazer um pente-fino, mas podemos não chegar a uma conclusão, apenas listar as possibilidades do acidente'', afirmou o engenheiro Mauro Dolinsky, vice-diretor de Espaço do Instituto Aeroespacial (IAER). Segundo o comandante do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, a certeza apenas é que o acidente não foi causado por um motivo grosseiro, como acionar um botão errado.
Ele explicou que o fogo começou com o acionamento da ignição do motor do primeiro estágio, ocasionando também a autodestruição ou explosão dos outros três, mas os motivos que levaram o acionamento do mecanismo não foi ainda detectado. ''Não se trabalha com a hipótese de falha mecânica'', afirma Ribeiro, ressaltando que o acionamento do motor pode ter sido causado por componentes elétricos com indução de ondas eletromagnéticas, ou por um choque, que seria um impacto causado até mesmo por um martelo, apesar das áreas sensíveis serem bem protegidas. A Aeronáutica praticamente descarta a possibilidade de sabotagem e descarga elétrica causada por raio, já que o controle meteorológico estava acionado.
O cenário do acidente de sexta-feira é estarrecedor. A torre de 32 metros praticamente tombada sobre milhares de toneladas de ferro retorcido e a destruição em um raio de 50 metros mostra bem o impacto do fogo, que chegou a três mil graus centígrados. Técnicos do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) trabalham na investigação das causas do acidente recolhendo material para análise. Alguns, estavam numa casa bem próxima dali, que não foi atingida por sorte.
Alguns dos destroços estão distantes do local do acidente, como parte do motor que causou o incêndio. A peça voou por quase 50 metros. Fora da área isolada pela Aeronáutica, ainda é possível verificar restos de revestimentos térmicos e latas derretidas.
Legistas que estiveram no local um dia após o fato, afirmam que os corpos estavam praticamente derretidos ou grudadas às ferragens ainda fumegantes. As investigações das causas do acidente devem levar mais que os 30 dias definidos pelas autoridades.
Além dos destroços, os técnicos e militares terão à disposição uma fita que mostrou onde o fogo começou e sua propagação. A Aeronáutica não informou se há cenas mostrando as mortes dos técnicos. Além disso, o veículo não tinha qualquer dispositivo que identificasse um acidente, como a caixa preta instalada em aviões.

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