Explosão de caminhões mata 11 no Pará
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terça-feira, 08 de julho de 1997
Agência Folha São Luis 
Pelo menos 11 pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida na explosão de uma carreta com carga usada na fabricação de explosivos e de um caminhão-tanque carregado com óleo diesel, anteontem à noite na rodovia estadual PA-150, em Sapucaia (sul do Pará). Os corpos das vítimas ficaram completamente carbonizados e deformados.
A explosão, ouvida num raio de 20 quilômetros na região, aconteceu depois que um caminhão-tanque de combustível passou por uma carreta da transportadora Granero que estava em chamas na rodovia. A carreta, uma Scania T-113, havia parado na pista por volta de 17 horas, com um pneu furado e princípio de fogo em uma das rodas traseiras. O motorista de outra Scania da Granero voltou em direção a Xinguara (sul do Pará, a 100 quilômetros do local do acidente) em busca de um borracheiro. O motorista da carreta quebrada, Francisco de Assis Monteiro, tentou, em vão, controlar o fogo com um pequeno extintor, que se espalhou pela carroceria e depois pela cabine.
A carreta guiada por Monteiro estava carregada com 27 toneladas de nitrato de amônia, substância usada na fabricação de explosivos. A carga vinha da Ultrafértil, em Cubatão (SP), e seria levada para a Companhia Vale do Rio Doce em Carajás (PA), conforme confirmou o gerente da divisão de transportes da Granero, Antonio Carlos Cezar Filho, 43. O fogo já se espalhava também pelo pasto de uma fazenda na área. Dois caminhões-tanque carregados com gasolina e óleo diesel chegaram ao local, onde já havia uma fila de 20 carros. A carreta estava na pista, que não tem acostamento.
Segundo testemunhas, o motorista de um dos caminhões-tanques decidiu arriscar e passou pela carreta em chamas. Depois que o caminhão de combustível se distanciou 150 metros da Scania incendiada, a carreta com nitrato de amônia explodiu e espalhou fogo pelo local. O caminhão-tanque explodiu em seguida. O outro caminhão, que esperou o primeiro ir à frente, foi arremessado pelo impacto da explosão a uma distância de 200 metros de onde estava.
A carreta, o caminhão-tanque que explodiu e uma camionete D-20 que transportava moradores da região se transformaram em destroços. A maioria dos mortos era de passageiros da D-20, que vinha do povoado de Vila Rio Vermelho, em Xinguara.
Francisco Monteiro e os motoristas dos dois caminhões de combustível também morreram no local. A Polícia Militar não informou até o final da tarde de ontem qual era a empresa proprietária dos caminhões de combustível, que estariam viajando de Marabá a Xinguara para abastecer postos de gasolina.
Uma cratera de quatro metros de profundidade por 15 metros de comprimento se formou na pista. Corpos foram jogados a até 15 metros dentro da mata. Os destroços da explosão, como estilhaços de metal dos carros e pedaços de asfalto, atingiram pessoas ao redor num raio de mais de 500 metros. Dos 11 mortos oficialmente confirmados até o final da tarde de ontem, dois não haviam sido identificados. Havia informações da polícia de que os mortos eram mais de 15, mas os corpos levados para hospitais da região indicavam um total de 11.
A PM de Xinguara só terminou de recolher os restos de corpos por volta de 10 horas de ontem.


