Itatiba, SP, 03 (AE) - Dois adolescentes da cidade de Itatiba, região de Jundiaí, sofreram queimaduras pelo corpo, e um deles teve seis dedos das mãos amputados por causa da explosão de uma bomba de 9 milímetros. Na tarde de quinta-feira a Polícia Civil, por ordem da Justiça, foi ao bairro para destruir 120 quilos de fogos de artifícios, apreendidos em casas de fogos ilegais. Porém, alguns dos artefatos não foram "detonados".
Os garotos Roberto Evangelista Pereira, de 13 anos, e João Batista de Moraes, de 14, foram brincar no terreno durante a noite e encontraram 24 bombas de 9 milímetros e 28 de 4 milímetros. Os dois acenderam uma das bombas de 15 centímetros de comprimento, que explodiu nas mãos de João. Ele teve três dedos de cada uma das mãos amputados e está internado em estado grave na Santa Casa de Itatiba, com queimaduras no rosto e no peito. Roberto contou que ficou desesperado e para apagar o fogo no seu corpo, retirou a calça e a camisa.
O delegado titular de Itatiba, Rafael Tobias Nogueira, disse ter tomado todas as providências de segurança para que os fogos fossem queimados totalmente. Tanto que pediu a ajuda do Corpo de Bombeiros da cidade e de um especialista em shows pirotécnicos. "Sou pai e lamento essa fatalidade. Se houve falha, os responsáveis vão ser punidos". A Justiça de Itatiba instaurou hoje um inquérito para apurar o ocorrido.
O comandante do Corpo de Bombeiros, Jorge Alves, disse que a equipe da Polícia Civil que realizou a destruição das bombas poderia ter feito uma barricada. Tanto, que o mato próximo ficou queimado. "Qualquer um que passasse pela estrada na hora da explosão corria riscos. Nossas viaturas ficaram a 300 metros de distância do local", declarou.
As mães de Roberto, Janete de Souza, de 31 anos e de João, Maria do Carmo Rocha, de 46 anos, informaram que vão processar o Estado pelo acidente com os filhos. Janete disse que foi uma "irresponsabilidade da Polícia Civil destruir bombas próximo de residências e de passagem de pedestres". O delegado Rafael informou que a explosão dos 120 quilos ocorreu em propriedade particular e os menores acabaram adentrando ao local
no período da noite, quando acreditava-se que tudo estivesse destruído.

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