O pesquisador Vitor Baranauskas, da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), disse ontem que o acidente com o Fokker 100 da TAM, quarta-feira passada, pode ter sido causado pela ‘‘explosão involuntária’’ de uma bateria. Em nota divulgada ontem ele ressalta que ‘‘essa hipótese não pode ser descartada sem uma investigação minuciosa’’.
No texto, o pesquisador lembra que o engenheiro eletrônico Fernando Caldeira de Moura, arremessado do jato no momento da explosão, estava em viagem de trabalho para apresentação de sua empresa, que presta serviços na área de informática. ‘‘Além do celular e do computador portátil, certamente ele transportava baterias de reserva, com carga máxima, para garantir a demonstração do seu trabalho’’, diz Baranauskas.
Segundo ele, as baterias normalmente usadas nestes aparelhos são de cádmio e óxido de níquel. Por serem seladas para evitar a perda de água, causam o acúmulo de gases (hidrogênio), que ficam sob pressão em seu interior. ‘‘Normalmente são baterias bastante seguras, mas não 100% confiáveis’’, explica. De acordo com Baranauskas, estas baterias podem explodir por falhas de fabricação, carregamento muito rápido, superaquecimento, ou tempo de uso.
O pesquisador diz que já ocorreram acidentes provocados por esse tipo de bateriais no Brasil. Como exemplo, cita o caso do capitão da Polícia Militar mineira, Waleir Ferreira da Costa, que em dezembro de 96 foi vítima de uma explosão da bateria do seu celular. ‘‘É importante que os peritos fiquem atentos aos resíduos de cádmio, níquel, e principalmente de hidróxido de potássio, que é o eletrólito principal destas baterias’’, afirma o pesquisador.
Os diretores da empresa Amix NetVale, da qual o empresário Fernando Caldeira de Moura era sócio, devem intimar a TAM na Justiça para que esta informe o paradeiro da valise e do laptop que a vítima portava no dia do acidente. A família também contratará nas próximas horas um advogado para preservar a imagem do engenheiro morto na explosão. A intenção é garantir o direito de defesa diante da avalanche de versões envolvendo o nome e o trabalho do empresário.
Segundo o primo do morto, deputado Paulo Julião, a preocupação maior é que o poder econômico influencie no resultado final das apurações, transformando a vítima em culpada pela explosão. Ele diz que a TAM está numa posição confortável, pois todas as investigações estão sendo dirigidas para o engenheiro. ‘‘Queremos evitar que o caso do Fernando venha a se transformar numa outra Escola de Base’’, comentou o irmão, Kramer Caldeira de Moura.
A família e os sócios da Amix se reúnem hoje para discutir a contratação do profissional. A empresa necessita da laptop para dar sequência às operações e negociações iniciadas pela vítima, que se encontram no computador portátil. Segundo os familiares, funcionários da TAM afirmaram, na chegada do corpo em São José dos Campos, que a pasta e o computador foram encontrados intactos e seriam devolvidos.
Porém, o destino destes objetos tem sido até o momento um mistério e a viúva só recebeu o telefone celular e a aliança. A decisão de contratar um advogado foi tomada no final de semana entre Kramer de Moura e o deputado Paulo Julião, após avaliarem o desgaste que a imagem de Fernando vem sofrendo e as permanentes investidas de alguns setores da imprensa.
Por enquanto, os familiares descartam uma ação judicial contra a empresa antes do relatório final. ‘‘A TAM só será acionada na Justiça caso faça alguma acusação ao Fernando de ter colocado a bomba no avião’’, avisou Kramer de Moura. No domingo, será celebrada uma missa encomendada pela família de Moura.

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