Rio, 03 (AE) - Uma explosão de um aquecedor de gás provocou um princípio de incêndio em um apartamento no condomínio James, no Leblon, zona sul. O acidente ocorreu menos de 24 horas depois que técnicos da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG) fizeram a conversão de gás manufaturado para gás natural no aquecedor. Em 22 de novembro, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos do Rio (Asep) suspendeu por tempo indeterminado o programa de conversão, depois que o morador do Leblon, Flávio Theóphilo, sofreu intoxicação grave enquanto tomava banho. A Ceg conseguiu autorização para finalizar duas mil conversões.
Por volta das 23 horas de ontem (02), os moradores do apart hotel começaram a sentir cheiro de queimado. Uma fumaça negra saía do apartamento 202, onde vive um engenheiro americano. "Ele ia tomar banho, ligou o gás e sentou no sofá; acho que acabou desmaiando", contou a professora Lúcia Helena Biagi, que mora no apartamento 704 e gastou R$ 89 para consertar o vazamento no aquecedor da sua casa.
Lúcia Helena contou que dois rapazes arrombaram a porta do engenheiro e o retiraram do apartamento. Os moradores se queixam do despreparo dos técnicos da Ceg. "Eles não vieram aqui trocar ladrilho ou remendar parede, eles vieram mexer com gás e deixaram uma bomba na minha casa", reclamou. A Ceg divulgou nota atestando que o aquecedor que explodiu hoje estava em boas condições de funcionamento e que o caso ainda está sendo estudado. A nota não menciona indenização ao morador.
Entre agosto e outubro, a Ceg fez 16 mil conversões no Leblon e 724 consumidores fizeram queixas à companhia. Também houve reclamações de moradores da Tijuca, na zona norte, em que 18 mil casas passaram a ser abastecidas com gás natural. Segundo informações da assessoria, esse tipo de gás é menos poluente e tem maior poder de aquecimento que o gás manufaturado.
O presidente da Asep, Ranulfo Vidigal, afirmou que as conversões continuarão canceladas até que "as questões ligadas à segurança" sejam reforçadas.

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