Explosão danifica 40 imóveis e faz sete feridos no Rio
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Luiza Franco, Lucas Vettorazzo e Martha Alves Folhapress 
Rio de Janeiro e São Paulo - Uma explosão por volta das 3 horas de ontem no bairro da São Cristóvão, na zona norte do Rio, causou a destruição total de três imóveis comerciais e de um conjunto de 14 quitinetes, situadas em um mesmo endereço. Sete pessoas ficaram feridas sem gravidade. Até as 11 horas, apenas duas ainda permaneciam em observação no hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, que recebeu as vítimas do acidente.
Uma das vítimas em observação é a filha da comerciante Ana Keyla Magalhães de Araújo, Beatriz, de 9 anos. Ana viu o quarto onde dormia com o marido e a filha ser completamente destruído. "Fiquei soterrada por três horas. Mas meu marido conseguiu sair dos escombros para ajudá-la. Toda a minha casa foi destruída."
De acordo com a Defesa Civil do Rio, no total, mais de 40 imóveis foram atingidos de alguma forma pelo impacto. Os demais casos somam danos variados e menos graves. São endereços no entorno do terreno da explosão localizado na Rua São Luiz Gonzaga.
Os estragos se estenderam por um raio de 200 metros: uma agência do Bradesco teve a fachada de vidro destruída e um bar teve sua porta de ferro retorcida.
Dois edifícios do outro lado da rua, localizados de frente para o local atingido, tiveram janelas arrancadas pelo deslocamento de ar no momento do acidente.
Assustados, os moradores da região abandonaram suas casas no meio da madrugada ainda sem saber o que estava acontecendo. "Corri para a janela da sala e vi uma bola de fogo vermelho, enorme. Desci do jeito que estava para me salvar", contou Geisa Marinho, 74, que mora sozinha em um apartamento em frente ao local do acidente. O som da explosão foi tão forte que pôde ser ouvido no quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro de Benfica, a cerca de 2 km de distância. As embalagens de pizza de uma das lojas destruídas foram arremessadas no alto de edifícios vizinhos.
"Não consigo descrever o que sinto agora. Se isso tivesse acontecido em outro horário, eu poderia estar lá. Por sorte não tinha ninguém na loja", comentou Alessandra de Lima, 37, funcionária de uma farmácia que foi destruída.
Os socorristas também tentam remover os escombros dos imóveis mais próximos da rua para tentar chegar aos fundos do terreno, em busca de feridos. Sete quartéis do Corpo de Bombeiros do Rio estão envolvidos na operação de resgate. Cães farejadores também auxiliam neste trabalho.
BOTIJÕES DE GÁS
A principal suspeita das autoridades para a explosão é de que o acidente foi provocado por um vazamento de gás, provavelmente de um botijão. Uma pizzaria, um restaurante e uma drogaria e ao menos 14 quitinetes ficaram totalmente destruídos. Segundo informações coletadas no local do acidente, a pizzaria, o restaurante e as casas utilizavam gás de botijão.
Os bombeiros retiraram dos escombros ao menos oito vasilhames de gás de 13 quilos, tradicionalmente usado nas residências do Rio. De acordo com o secretário municipal de Defesa Civil, Márcio Motta, dois grande botijões, de 45 quilos, foram retirados intactos dos escombros da pizzaria. "Ainda não é possível precisar de onde partiu a explosão", afirmou.
O Rio tem histórico de explosões causadas pelo mau uso dos botijões de gás. Em maio, um alemão morreu após seu apartamento explodir em São Conrado, zona sul da cidade. Em outubro de 2011, quatro pessoas morreram após explosão em um restaurante no centro do Rio.
FISCALIZAÇÃO
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, Ronaldo Alcântara, estabelecimentos podem usar botijões ainda que a via onde funcionam seja servida por gás canalizado. É o caso da rua onde houve a explosão. De acordo com a Ceg, empresa que detém a concessão para a distribuição do gás encanado no Estado do Rio, a região de São Cristóvão é atendida pela rede, mas nem os imóveis comerciais ou a vila de casas eram seus clientes. Os bombeiros são responsáveis por fiscalizar as instalações no Estado.
Bombeiros e Defesa Civil ainda não sabem se os donos dos estabelecimentos atingidos pela explosão seguiam a legislação vigente. A Polícia Civil vai apurar as causas do acidente.


