Experimento cria 'sexto sentido' em ratos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Débora Mismetti<BR> Folhapress 
São Paulo - Roedores equipados com um detector de infravermelho conectado à região do cérebro responsável pela percepção do tato conseguiram "enxergar" a luz invisível, segundo relatam pesquisadores em artigo na Nature Communications.
O trabalho, liderado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke (EUA), é uma demonstração de que as áreas do cérebro ligadas aos sentidos não têm uma divisão absoluta; uma pode "tomar o lugar" da outra se houver uma lesão.
"Essa era a nossa hipótese: é possível converter um córtex tátil em um processador de outra área sensorial", disse Nicolelis à reportagem.
Os roedores foram colocados em um espaço circular onde havia três aberturas. Eles foram treinados para buscar a abertura acima da qual uma luz comum se acendia. A luz foi sendo substituída pelo infravermelho. Tempos depois, os animais equipados com o detector de infravermelho conectado ao cérebro começaram a perceber, mesmo sem ver, que o infravermelho estava acionado e colocavam o focinho na abertura correspondente, onde tomavam um gole de água.
O objetivo era aumentar o espectro da percepção sensorial dos animais. "Fizemos a luz invisível ser percebida como tato. Eles 'tocaram' a luz, sentiram sua presença sem estímulo na retina."
A prótese usada na cabeça dos bichos traduzia a luz eletromagnética em uma estimulação tátil. Os neurônios continuaram a responder às sensações táteis comuns, mas também à luz infravermelha. Conseguimos documentar os neurônios respondendo aos dois sentidos."


