Experiência sobre fecundação artificial choca italianos
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Assimina Vlahou, especial para a AE 
Roma, 16 (AE) - A opinião pública italiana ficou chocada mais uma vez com as experiências do ginecologista Severino Antinori, especialista em fecundação assistida. Segundo Antinori em alguns casos os homens estéreis não precisam recorrer a um doador. Basta cultivar o sêmen em tecidos de ratos, animais utilizados nas pesquisas sobre fecundação artificial porque o ambiente bioquímico de seu aparelho reprodutor é semelhante ao do homem.
A técnica, que provocou reações indignadas de médicos e políticos que ainda não terminaram de votar a lei que regulamenta a fecundação assistida na Itália, consiste em reforçar o espermatozóide fazendo com que seu antecessor, chamado espermatogone, amadureça diretamente em um testículo de rato ou em uma base de nutrientes de rato: hormônio e células. Quando o espermatozóide estiver formado tenta-se obter o embrião na proveta por meio de uma micro-injeção.
Não se trata apenas de uma experiência, isso já foi testado. Com a colaboração dos ratos, já nasceram quatro crianças na Itália, a última em dezembro. "Estão todos bem", assegurou o ginecolgista que anunciou para breve mais seis nascimentos na França, Inglaterra e Japão.
Ele garante que não há possibilidade de problemas genéticos e, para evitar a transmissão de doenças do rato, administraram medicamentos imunodepressivos. Segundo ele o tecido do testículo do rato, depurado e testado, estimula o espermatogone que amadurece em três meses.
O médico Nikolaos Sofikitis, grego naturalizado japonês colaborou nos estudos. Antinori prevê sucesso em 10% dos casos. O andrologista Aldo Isidoro disse que o amadurecimento forçado do espermatozóide pode provocar danos genéticos e estruturais.
Para o médico Paulo Serafini, da Clínica Huntington de São Paulo, essa técnica é um caso extremo de tentar ajudar os pais a terem filhos. "Atualmente, há técnicas que permitem a maturação do espermatozóide in vitro, evitando o uso de ratos", explicou Serafini.


