Genebra, 09 (AE-AP) - Uma sequência de experiências envolvendo a destruição de átomos produziu, pela primeira vez, evidências "sólidas" das menores partículas que flutuavam livremente pelo vácuo uma fração de segundo após o Big Bang - o evento que, acredita-se, deu origem ao Universo.
"Recriamos um estado da matéria nunca visto antes, com densidade de energia vinte vezes maior que a do núcleo do átomo", informa um texto oficial do CERN, o laboratório europeu de Física de Partículas. "Condições idênticas existiram, apenas, poucos microssegundos após o Big Bang". Com isso, os cientistas de aproximam um pouco mais das condições do instante da criação.
A nova descoberta permite a observação de partículas e forças ainda desconhecidas. Antes disso, os físicos eram capazes de reproduzir as circunstâncias de três minutos após o início do Universo. O porta-voz do CERN, Neil Calder, disse que "um importante avanço científico" ocorreu como resultado de uma série de experiências conduzida por 350 cientistas de todo o mundo.
As menores partículas conhecidas são chamadas de quarks, que se mantêm unidas umas às outras graças à ação de outras partículas, os glúons. Anteriormente, quarks e glúons tinham sido vistos como partes integrantes de partículas maiores, como prótons. Luciano Maiani, diretor-geral do CERN, informa que a nova experiência trouxe provas da existência de um estado da matéria em que quarks e glúons se mantêm em estado livre.
"Se a teoria do Big Bang está correta, então em algum momento os quarks devem ter estado flutuando livres, em um tipo de sopa, antes de serem engaiolados dentro das partículas maiores", disse Calder. O informe do CERN disse que a evidência era "sólida o suficiente para podermos afirmar que criamos um novo estado da matéria". As provas, no entanto, são indiretas. O CERN não foi capaz de observar diretamente os quarks e glúons livres.
Essa tarefa, a de observar e examinar em detalhe o "plasma de glúon-quark", deve ficar para o Colisor Relativístico de Ferro Pesado (RHIC, na sigla em inglês) do Laboratório Nacional de Brookhaven, Long Island, Nova York. James Gilles, do CERN, explicou que os aceleradores de partícula do laboratório europeu têm "a energia exata" para criar o plasma, mas não para sustentá-lo por tempo suficiente para que seja estudado.
Sem energia, a matéria no acelerador "esfria", assumindo conformações mais próximas das que existem hoje. "Isto é uma ótima notícia para o RHIC, porque eles vão poder criar o plasma com grande facilidade e estudá-lo detalhadamente", explicou Gilles.

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