Para manter o controle emocional, o empresário Silvio Santos se valeu de um personagem de si mesmo. O homem comum, Senor Abravanel, pai de Patrícia Abravanel, e o popular apresentador dos programas de auditório se misturaram enquanto ele era mantido refém em sua casa. Essa é a avaliação do psicólogo social Adalberto Botarelli, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

''Trata-se de um fenômeno comum em pessoas famosas, mas que ajudou no autocontrole de Silvio Santos'', explica Botarelli. Na mesma situação, uma pessoa comum já não teria essa vantagem, correndo mais risco de se descontrolar.

A tranquilidade de Patrícia ao deixar a casa onde seu pai permanecera com o sequestrador mostra falhas em sua percepção da realidade'', segundo Botarelli. ''Desde o sequestro que sofreu, a Patrícia dá indícios de que distorce a realidade, subestimando a gravidade da situação.'' Esse mecanismo pode ser uma forma inconsciente de defesa.

Para o psicólogo, Patrícia e Fernando têm algo em comum: os dois são jovens que enfrentam uma crise de valores. ''Cada um deles tem dificuldade para enxergar o outro como ser humano. O efeito disso é a banalização de uma situação muito séria.''(A.E.)

mockup