Expedição quer resgatar peças do Kasato Maru
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segunda-feira, 07 de março de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba Brasileiros e russos firmaram acordo de cooperação científica para a realização de uma expedição de resgate de peças do navio Kasato Maru, que naufragou em águas russas em agosto de 1945, após ser bombardeado por aviões na Segunda Guerra Mundial. O Kasato Maru tem um significado muito importante para os brasileiros, principalmente para os descendentes de japoneses que vivem aqui. Foi esse navio que trouxe para o Brasil, em 1908, os primeiros imigrantes da Terra do Sol Nascente. Um termo de cooperação entre representantes do Instituto Tecnológico e Ambiental do Paraná (Itapar) e da Sociedade Geográfica da Rússia (SGR) para a realização do trabalho de resgate foi assinado mês passado em Curitiba entre o presidente do Itapar, Acef Said, e o primeiro secretário da Embaixada da Federação da Rússia, Yuriy Mozgovoy. Via Skype, dois representantes da SGR, acompanharam da Rússia a assinatura, Aleksandrov D.G. e Sergey M. Fazlullin, respectivamente diretor-executivo e vice-presidente da entidade. O Itapar, com sede em Curitiba, é o braço brasileiro do projeto. Agora, com o contrato assinado, o presidente do instituto busca patrocinadores para a expedição. "Não sabemos ainda quanto a expedição vai custar", informou Said.
A ideia é resgatar as duas âncoras do navio, além do sino, leme e timão. O presidente do Itapar contou que está buscando parceria principalmente com a comunidade nipo-brasileira. A SGR participará com um navio-escola e várias entidades e órgãos governamentais da Rússia também estão no projeto, como especialistas em objetos de São Petesburgo, especialistas em hidrologia, representantes de universidades e a Federação de Mergulho da Rússia. Mas ainda é preciso contratar navios e helicóptero de apoio e demais despesas com as viagem. O SGR tem 170 anos e já executou projetos de pesquisa científica em 83 regiões da Rússia.
O Kasato Maru afundou na Península de Kamchatka, no Mar Okhotsk, no sul da Rússia. Calcula-se que ele se encontra a 18 metros de profundidade. Até 1991, nenhum estrangeiro estava autorizado a pisar no solo de Kamchatka, pois o local abrigava um grande arsenal da ex-União Soviética. A península possui 300 vulcões, sendo 30 deles ativos. Mas o maior desafio dos participantes do projeto será o fato que o início da expedição vai coincidir com o fim do período de hibernação dos milhares de ursos que vivem por ali.
A primeira expedição, exploratória, deve chegar àquele local em maio. Estudantes e professores de universidades brasileiras serão convidados pelo Itapar para integrar o projeto. Ente julho e agosto de 2016 deve acontecer a operação de resgate das peças, que depois de recuperadas serão tratadas, catalogadas e certificadas pelo Ministério da Cultura da Rússia. Antes da chegada prevista a Curitiba, em 2017, as peças serão expostas em museu na Rússia. Os estudantes e professores russos e brasileiros vão também fazer pesquisas na área ambiental. "Uma das peças poderá ser enviada para Kobe, pois foi do porto daquela cidade que partiram os imigrantes japoneses para o Brasil", informou Said, que tem origem japonesa.
Ele lembrou que por ocasião do centenário da imigração japonesa, em 2008, foi construído em Curitiba o Parque do Centenário, com um museu para abrigar as peças do Kasato Maru. O local, próximo da divisa com São José dos Pinhais, está ainda fechado.
Segundo o presidente do Itapar, o resgate das peças do Kasato Maru é um grande anseio da comunidade nipo-brasileira e representa todo o sonho, esperança e dedicação dos japoneses que vieram ao Brasil. Ele ressaltou ainda o caráter científico do projeto e afirmou que foi fundamental o apoio da Embaixada da Rússia do Brasil para se chegar à assinatura do termo de cooperação.
Para o vice-presidente da Sociedade Geográfica Russa, Sergey M. Fazlullin, a expedição vai abrir uma nova página na história e nas relações entre Brasil e Rússia. "Eu considero uma chance feliz o projeto que começamos a implementar", disse Fazlullin, por meio da assessoria de imprensa.
Segundo o diretor executivo da Sociedade Geográfica da Rússia, Dimitri Aleksandrov, a execução dos trabalhos que envolvem o projeto do Kasato Maru vão permitir a abertura de novas páginas na história e na memória das novas gerações, o que servirá para um bom pretexto para o desenvolvimento das relações da Rússia e do Brasil.



