Expectativas melhoram, mas empréstimo para indústria ainda é caro
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 16 (AE) - As quedas sucessivas da taxa básica dos juros melhororaram ânimo dos empresários. A expectativa é favorável no que se refere aos custos dos financiamentos à indústria. Por enquanto, não há nada de concreto. Os bancos continuam extremamente seletivos. Exigem garantias que, na maioria das vezes não podem ser atendidas pelas empresas. Mesmo assim, os empresários dizem estar encontrando melhor receptividade por parte das instituições financeiras, no que se refere aos pedidos de crédito.
Por enquanto, os bancos só atendem seus clientes mais antigos e com cadastro atualizado. O Banco do Brasil, por exemplo, só aceita negociar valores dentro dos limites do crédito de cada cliente. A liberação de dinheiro depende do cumprimento de alguns pré-requisitos, como a apresentação e o depósito de duplicatas de uma carteira diversificada de clientes.
Estes também devem ter um bom cadastro e, mesmo assim, seus títulos são submetidos a cuidadosa análise. Além disso, a instituição não aceita prazo de vencimento superior a 60 dias para o desconto das duplicatas.
As taxas de juros variam de acordo com o cliente. As grandes empresas conseguem descontar duplicatas por até 2,5% ao mês. Já os pequenos, são submentidos a um custo tão elevado, que coloca em risco a sobrevivência - até 7% ao mês, afirma o diretor do Sindicato das Indústrias de Lâmpadas e Aparelhos de Iluminação (Abilux), Carlos Eduardo Uchôa Fagundes.
"É uma situação difícil, que leva à queda das vendas e à redução das atividades das empresas", afirma o presidente da Abilux. A escassez de dinheiro também obriga as indústrias a reduzir os estoques, numa tentativa de só trabalhar com o dinheiro dos clientes, diz Fagundes, que dirige o Departamento da Micro e Pequena Indústria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Também é difícil a situação das indústrias que se preparam para participar do comércio exterior. Para fazer uma operação de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), os empresários também devem depositar nos bancos duplicatas de clientes nacionais, a título de garantia.
Os diretores das empresas devem também apresentar promissórias, além de garantias pessoais (como imóveis). E ainda parte do dinheiro liberado deve permanecer depositado no banco, para atender à exigência de reciprocidade.
Essa é uma imposição que, pelo menos, permite que as empresas obtenham alguma vantagem. Como esse dinheiro é aplicado em títulos públicos, o resultado da operação é favorável ao cliente. Obtém rendimento superior a 30% ao ano e o custo financeiro da ACC fica entre 8,5% e 9%.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria da Fundição (Abifa), José Raia, diz que as empresas aguardam a restauração das linhas de crédito às exportações, as chamadas operações de financiamento pré-embarque. Essa é a alternativa para a expansão das vendas ao exterior, acredita o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf.
A um custo equivalente ao da Libor (taxa básica de juros do mercado londrino), mais um ponto porcentual, um ano de carência e outro ano para pagar, é a única forma de tornar possível o crescimento acelerado das exportações, disse Skaf.
A dificuldade, segundo Skaf, está na liberalização desses recursos. Por enquanto, os exportadores estão sendo obrigados a se sujeitar às restrições e à seletividade das instituições financeiras.
O presidente da Abit diz que a solução será o fundo de aval, o correspondente a um seguro do crédito, para que os bancos deixem de exigir garantias e deixem de cobrar taxas de risco (spreads) excessivamente elevadas.


