Rio de Janeiro - Uma criança brasileira nascida em 2002 tinha três meses e 18 dias a mais de esperança de vida do que uma outra que nasceu no País um ano antes. Pela primeira vez na história, a expectativa de vida superou a casa dos 70 anos. Em 2002, ficou em 71 anos, segundo estimativa da Tábua de Mortalidade de 2002, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2001, a esperança de vida era menor: 70,7 anos. Em 2000, 70,5 anos. De 1980 a 2002, houve um crescimento de 13,6% na esperança de vida do brasileiro. Segundo o IBGE, o principal motivo para o aumento é a retração na mortalidade infantil, que passou de 69,1 óbitos por mil nascidos vivos para 28,4 por mil em 2002.
Apesar da evolução, o Brasil ainda está na 88 posição entre os 192 países pesquisados pela ONU no caso da expectativa de vida. Na América Latina, ficou atrás de nações como Cuba, Chile, Uruguai, Argentina e Colômbia, entre outros.
Fernando Albuquerque, gerente da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, diz que, apesar dos números melhores, ''ainda há muito o que fazer''. Afirma que países com economias muito menores apresentam indicadores melhores.
''É um progresso, mas um progresso como o da nossa economia, que cresceu 0,4% (variação do PIB no terceiro trimestre ante o segundo trimestre). Os dados, em geral, são lastimáveis'', afirmou o médico epidemiologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Eduardo Costa.
Para Costa, a principal causa do aumento da expectativa de vida, até mais importante do que a redução da mortalidade, foi a queda na taxa de fecundidade nos últimos anos. Essa é também a razão predominante para o declínio da mortalidade infantil, segundo Costa. Pelos dados do Censo 2000, cada mulher tem em média 2,3 filhos.
Conforme Costa, o acesso à saúde ainda é precário no País e o foco dos programas está errado. ''O sistema de saúde no Brasil ainda é falho. Gasta-se muito com procedimentos complexos e muito pouco com a atenção primária e com os cuidados básicos, que são os fatores que, de fato, surtem efeito'', diz.
Entre as mulheres, a expectativa de vida é maior: 74,9 anos em 2002, contra 67,3 anos dos homens. Cresceu a diferença entre a esperança de vida de homens e mulheres de 6,1 anos em 1980 para 7,6 anos em 2002. Em relação a 2001, quando a distância fora de 7,7 anos, ficou praticamente estável.
Para Albuquerque, o motivo para tal disparidade é a maior exposição dos homens às mortes violentas como homicídios e acidentes de trânsito e a expansão contínua da urbanização. ''É um fenômeno que ocorre em todo mundo, mas no Brasil a diferença é maior'', afirma. Segundo o IBGE, em países desenvolvidos ela oscila de quatro a cinco anos.
De 1980 a 2002, a mortalidade infantil teve uma redução de 59%. A taxa de mortalidade brasileira (28,4 por mil) é menor do que a média mundial (55,6 por mil). Está, porém, acima de países latino-americanos, como Cuba, Chile, Argentina, Venezuela e México.

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