O relatório de saúde no mundo da Organização Mundial da Saúde (OMS) traz este ano uma importante modificação: a organização deixou de estabelecer um ranking dos países. A mudança ocorreu depois de o último relatório ter colocado o Brasil na 125ª posição entre 191 países. Mesmo sem o ranking, o governo brasileiro ficou insatisfeito.
Ao lado dos Estados Unidos, do Paquistão e da Holanda, o País se recusa a aceitar as estimativas publicadas pela OMS no relatório de 2001. Pelos cálculos da OMS, a expectativa de vida saudável no Brasil é de apenas 57,1 anos, o mesmo desempenho do Egito.
''A metodologia de cálculo desse índice é falha'', afirma José Marcos Nogueira Viana, chefe da assessoria internacional do Ministério da Saúde. Viana explica que os dados usados nesse cálculo não são os oficiais do País. ''O índice depende de dados de nascimento e mortalidade, principalmente a infantil. Mas só sete Estados do País têm registro preciso disso.'' No relatório do ano passado, a OMS não soube informar ao governo brasileiro qual a origem dos dados que usou para calcular o índice.
Pela nova metodologia, a OMS calcula o número de anos que uma pessoa vive em boas condições de saúde. ''Isso mede a qualidade dos serviços de saúde de um país'', afirma um técnico da OMS.
Por criticar os métodos da OMS, o Brasil não reconhece o valor de 57,1 anos como sua expectativa de vida saudável. ''O número está errado e não pode ser comparado ao de outros países'', completa Viana. Segundo ele, apesar de o relatório indicar que só quatro países não endossaram seus respectivos índices, há outras nações que também discordam dos valores apresentados pela OMS.
O relatório da OMS ainda revela que 49 meninos a cada mil morrem no Brasil antes dos cinco anos de idade. Entre as meninas, 42 a cada mil não chegam aos cinco anos. O desempenho é pior do que o da China, da Colômbia, da Argentina e de El Salvador.
No ano passado, diante do péssimo resultado do Brasil no relatório da OMS, o ministro da Saúde, José Serra, iniciou uma campanha para evitar que a OMS classificasse os países. O Brasil ganhou o apoio de outros descontentes, como os Estados Unidos, que estavam em 15º lugar na lista.

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