Expectativa de confronto frustra ação da PM
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sexta-feira, 07 de novembro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - Uma decisão da Justiça de Loanda evitou ontem um confronto na Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, região de Paranavaí. Mais de 500 homens da Polícia Militar estiveram na área para cumprir a reintegração de posse da fazenda, que está invadida desde 1997 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os acampados avisaram que iriam resistir a ordem judicial para saírem do local, considerado o de maior conflito agrário do Paraná.
Segundo o capitão Gilberto Cândido de Souza, do 8º Batalhão da Polícia Militar, como a intenção do movimento era de resistir ao cumprimento da ordem, a polícia percebeu que a operação poderia resultar ''em muita violência''. O pedido de suspensão da reintegração por um prazo de 10 dias foi feito por um advogado do MST. A Justiça, porém, concedeu cinco dias ''para uma negociação amigável e desocupação voluntária do imóvel'', conforme pedido do advogado Josemar Canaffa. Pelo menos 400 famílias do movimento estão na fazenda.
Uma das coordenadoras do MST na região, Marli Brambilla, confirmou que os acampados não vão sair da Água da Prata sem uma negociação definitiva com representantes do governo estadual e federal. ''Algumas famílias estão há seis anos debaixo de lona na fazenda e não é assim, sem uma garantia, que irão sair'', disse Marli. A coordenadora afirmou que as famílias só pretendem se retirar da área para um assentamento. ''Já tivemos um companheiro morto (Sebastião da Maia, assassinado em 2000) e sofremos muita violência para agora não resolvermos esse problema'', afirmou Marli.
Conforme assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o objetivo do governo do Estado é cumprir as reintegrações sem conflito entre ruralistas e sem-terra. A partir de agora, no entanto, a secretaria está diante de um impasse, porque se não houver acordo dentro do prazo, o governo do Estado pode enfrentar a primeira reintegração violenta. Desde a morte de Sebastião da Maia, os acampados fixaram como ''ponto de honra'' transformar a Água da Prata em assentamento com o nome do companheiro assassinado.


