Expectativa com esclarecimentos e avanços de FHC
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
por Angela Bittencourt 
São Paulo, 8 (AE) - Nesta semana, avanços ou retrocessos especialmente junto aos governadores de oposição serão vitais para o cronograma de aprovação de medidas do governo, uma vez que a próxima será reduzida - e em alguns casos até eliminada do calendário - graças ao feriado do Carnaval, e exatamente por esta razão poderá pressionar o Banco Central como forma de obter respostas para questões levantadas na semana passada e que não foram formalmente esclarecidas.
Mas, antes das dúvidas operacionais, o mercado quer saber quem deverá ocupar cada cadeira da diretoria do Banco Central sob a gestão de Armínio Fraga. A definição dessespersonagens poderá, inclusive, aplacar as crescentes expectativas - seja quanto ao nível da taxa de juro, seja quanto ao modelo de intervenção do BC no mercado de câmbio. O mercado tem urgência, porque nota que o risco Brasil continua muito elevado, apesar da melhora flagrante observada basicamente na virada de 14 para 15 de janeiro, quando o mercado de câmbio foi liberado. De lá para cá, os preços dos títulos da dívida externa negociados no mercado secundário em Nova York apresentam oscilações e até eventuais melhoras, mas não consistentes a ponto de arrancar suspiros de alívio.
Fato relevante, a melhora do risco Brasil - avaliada a partir das cotações dos títulos da dívida - contagiou os papéis da Argentina e do México, que apresentam riscos bem menores e que encolheram praticamente na mesma proporção do risco Brasil. O resultado, portanto, é de um diferencial negativo para o Brasil frente aos outros dois países praticamente constante no mercado de "bradies" em Nova York.
Câmbio - Levantamento realizado pela Unibanco Asset Management (UAM) para o Estado mostra que no dia 14 de janeiro - dia do fracasso da última banda de oscilação da taxa de câmbio fixada pelo Banco Central e véspera da liberação do mercado - o bônus global Brasil-27 era cotado a 1.434 pontos-base acima dos títulos do Tesouro norte-americano. Na última sexta-feira, eram negociados a 1.103 pontos. Nestas mesmas datas, porém, não foi observada uma redução significativa do prêmio pago pelos papéis brasileiros ("spread" sobre os T.Bonds) em relação aos títulos argentinos e mexicanos.
No dia 14 de janeiro, por exemplo, o "spread" do Brasil-27 superava em 64% o "spread" de título equivalente da Argentina e em 95,9% o de títulos mexicanos com vencimento em 2026.
Na sexta-feira, o prêmio do Brasil-27 ainda era 65% superior aos 665 pontos-base do bônus global argentino e 89,2% superior aos 583 pontos dos papéis mexicanos.
O mercado tem convicção de que o risco Brasil só melhora com resultados concretos do ajuste fiscal empreendido pelo País e, certamente, dos esclarecimentos sobre a futura condução das políticas monetária e cambial. É grande a expectativa com o equilíbrio da taxa de câmbio, que na semana passada superou as expectativas firmando-se, nos últimos dois dias acima de R$ 1,80 por dólar, taxa que implica valorização do dólar em cerca de 50% no ano, e desvalorização do real pouco superior a 30%. Os contratos futuros negociados na BM&F, que normalmente são utilizados como parâmetro para projeções que reúnem vários indicadores, desta vez não ajudam, porque também apresentam distorções consideráveis e uma concentração absoluta de negócios nos contratos mais curtos - para vencimento no início de março.
Juros - Os juros futuros, negociados na BM&F, mostram uma explícita expectativa de firme alta das taxas, e ela foi exacerbada na sexta-feira, após a leitura mais atenta pelo mercado do comunicado conjunto divulgado pelo governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Considerando os três primeiros vencimentos negóciados no pregão da BM&F - que refletem o juro efetivo esperado para fevereiro, março e abril - a taxa média anualizada passou de 51,12% na segunda-feira para 53,11% na sexta. Mas, no meio desses cinco dias de negócios, a média chegou a cair a 42,35%.
A forte guinada nas expectativas ocorreu com a inesperada saída de Francisco Lopes da presidência ainda interina do Banco Central e o anúncio da indicação do economista Armínio Fraga para o cargo. A mudança do comando do BC alterou o conversor dos juros no Brasil e bastaram mais dois dias para que fosse confirmada - pelo comunicado do governo FHC/FMI - que a política monetária será utilizada com firmeza para fazer cumprir uma meta oficial de inflação, que o governo ainda deverá anunciar. O governo deixou absolutamento claro que a política monetária será usada não apenas como indicadora de juro, mas no seu sentido mais amplo, de administração do crédito interno. Apesar das expectativas já formadas, mas sempre sujeitas a revisões, o Banco Central fechou a semana colecionando quatro sessões no mercado aberto com juro estável em 39% ao ano.


