O conceito de região metropolitana, na maioria das vezes, é entendido como uma grande cidade cercada de outros municípios menores, de onde milhares de pessoas saem diariamente em direção à metrópole para trabalhar, fazer compras, receber atendimento de saúde, estudar ou acessar opções de lazer. Entretanto, a cada nova pesquisa sobre RMs que é divulgada, é possível perceber que esse conceito está mudando.
  O acelerado crescimento econômico e/ou populacional verificado em municípios vizinhos a grandes cidades está criando novos pólos de atração nas principais regiões metropolitanas. Estas localidades são chamadas de subnúcleos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
  Um comunicado divulgado pelo Ipea em julho aponta que, na década passada, oito das nove principais RMs do País (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) tiveram maior crescimento de população na periferia do que na cidade-sede da área metropolitana.
  O desenvolvimento de municípios que antes eram considerados dormitórios cria novas relações de dependência entre as cidades que compõem as RMs. O comunicado cita que, embora persista a concentração nas metrópoles, a tendência é a descentralização: segundo o Ipea, entre 1997 e 2007, a participação da capital paulista no total de empregos formais da Grande São Paulo caiu 4%. O número de deslocamentos casa-trabalho entre municípios da RMSP aumentou 50% nesse período. Bem mais do que a quantia de viagens partindo da região metropolitana rumo à cidade de São Paulo, que cresceu 36%.
  ‘‘O surgimento de novos polos provoca novas ligações que não somente aquelas centro-periferia das RMs, mas outras formas de mobilidade, criando movimentos de população entre os municípios metropolitanos, e não com o núcleo da metrópole’’, descreve o Ipea.
  A paranaense São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) é citada no comunicado como um exemplo de subnúcleo. ‘‘Esses municípios se distinguem daqueles que são eminentemente dormitórios e de grande porte e articulam pequenos municípios que estão se tornando seus próprios dormitórios’’, aponta o estudo.
  No Paraná, as três regiões metropolitanas oficiais (aquelas estabelecidas por lei federal ou estadual) seguem a tendência de descentralização. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os municípios de São José dos Pinhais, Cambé e Sarandi, respectivamente os mais populosos das RMs de Curitiba, Londrina e Maringá, tiveram entre 2004 e 2008 incrementos no Produto Interno Bruto (PIB) que superam os das metrópoles correspondentes.
  Embora tenha registrado um crescimento expressivo no PIB nesse período, de 62%, a capital paranaense ficou abaixo do desempenho de 67% verificado na vizinha São José dos Pinhais. Maringá e Sarandi tiveram incremento parecido, mas o município periférico teve pequena vantagem: 43% de crescimento, contra 41% da Cidade Canção. Na RML, a diferença foi bem mais acentuada. Enquanto o PIB de Londrina aumentou 38% em quatro anos, o de Cambé cresceu 74%, quase o dobro.

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