Êxodo rural esvazia 'rua dos sitiantes'
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sábado, 13 de maio de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Quem passa pela Rua Brasil, entre as avenidas Irmãos Pereira e José Custódio de Oliveira, no centro de Campo Mourão, pode ter a impressão que entrou numa máquina do tempo.
Numa mesma quadra, estabelecimentos comerciais funcionam como os armazéns de antigamente e vendem produtos que vão desde moedores manuais de café até fumo de corda.
A clientela, formada basicamente por moradores da zona rural, não pára de diminuir.
Essa já foi a rua mais movimentada de Campo Mourão, lembra Antônio Marques, 68 anos, que trabalha no comércio há 40 anos.
No estabelecimento dele tudo é vendido no balcão, incluindo itens da cesta básica e objetos como torradores manuais de café, moedores caseiros de carne, chapas para fogão a lenha, panelas de ferro e baldes e bacias metálicas.
O café acabou e o meu tipo de comércio, que é para quem mora na lavoura, perdeu muito, admite Antônio Marques.
Ele diz que a clientela dele é a mesma de sempre, reduzida daqueles que foram embora para centros maiores.
As pessoas que moravam nos sítios foram para as cidades grandes, lamenta. Ele diz também que a quadra do sitiante já teve outros estabelecimentos que não aguentaram a queda nas vendas e fecharam as portas.
Produtos como um moedor de café só se vendem de vez em quando, afirma. A rua hoje está quase morta.
Do estabelecimento de Marques, basta cruzar a rua para chegar à casa de Antônio Antunes, 55 anos, que mantém o mesmo tipo de comércio e as mesmas lamentações pelo êxodo rural.
Nosso comércio hoje corresponde a 5% do que era antes, calcula. Segundo ele, as vendas tiveram seus melhores momentos na década de 70 e, desde então, só caíram. Da região de onde vinham mais de 500 famílias, hoje não existem mais do que 30.
Antunes se recorda com saudades dos tempos em que existiam cinco linhas diárias de ônibus entre Campo Mourão e a região de Bourbônia (distrito de Barbosa Ferraz).
Eram moradores de sítios que vinham fazer compras aqui na cidade. Hoje não existe mais nenhuma dessas linhas, conta.
Segundo ele, a clientela atualmente se resume a aposentados. Mesmos os nossos clientes que se mudaram para a cidade fazem compras em seus próprios bairros, acredita.
Vizinho de Antunes, Everaldo Rocha Ramos, 56 anos, também atribui ao êxodo rural a queda na venda de fumo em corda, sua especialidade a loja tem mais de 10 tipos de fumo.
O café e o algodão, que davam trabalho para muita gente, não existem mais, lamenta. O comércio de fumo de corda na Rua Brasil tem mais de 30 anos. Ramos ainda consegue lucro com a fabricação de fumo, distribuído para vários estados do País.
Os fumos mais vendidos vêm em pequenos pacotes, já prontos para colocar na palha. Mas são os rolos de fumo de corda que ganham lugar de destaque no balcão principal.
Tem gente que gosta não só de fumar, mas também de cortar pessoalmente o fumo, diz Ramos. A maioria dos clientes é de pessoas idosas. Os jovens preferem cigarros prontos, informa.


