Buenos Aires, 07 (AE) - O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Osvaldo Rial, declarou que está "muito preocupado" pelo "crescente traslado de indústrias argentinas para o Brasil". Rial afirmou que o êxodo de mais de 30 empresas desde janeiro deste ano ao país vizinho se deve "às profundas assimetrias em diversos setores como o financeiro, fiscal e de insumos básicos". Segundo o industrial, "essa assimetria deve ser eliminada dentro do marco da proposta de relançamento do Mercosul".
Referindo-se à desvalorização do real, Rial reclamou da falta de instrumentos dentro do bloco comercial que possibilitem compensações para o caso de uma alteração na moeda em um dos países-sócios. O empresário também disse que espera que o próximo governo consiga uma solução para este êxodo.
O setor de máquinas agrícolas é um dos atingidos pelo êxodo ao Brasil. "Estamos em uma situação limite", lamentou Enrique Bertini, presidente da Câmara Argentina de Fabricantes de Máquinas Agrícolas. Segundo ele, das 42 principais indústrias do setor na província de Santa Fe, 15 possuem planos imediatos de mudar-se para o Brasil. Santa Feé a segunda província agrícola, e é responsável por 50% da produção de máquinas agrícolas.
"Para poder vender, estas empresas precisam instalar-se no Brasil", admitiu o secretário de agricultura de Santa Fe, Miguel Paulón. O secretário prevê um panorama sombrio se a situação não melhorar: "daqui a dois anos, todas as empresas do setor terão partido para o Brasil".
A Plá é uma das empresas que está analisando o traslado: daqui a três meses decidirá se compra um terreno em Curitiba ou realiza uma fusão com uma empresa gaúcha. "O Brasil está em expansão e não vamos poder aproveitá-lo bem se não estivermos lá", sustenta Miguel Plá, um dos diretores da empresa.
No setor de auto-peças a situação também é crítica: mais de 20 empresas já se mudaram ao Brasil desde janeiro. O mais recente anúncio de partida foi da cordobesa Montich, que divulgou que trasladará 50% de sua produção à Curitiba. Córdoba ainda seria sua central de distribuição para o Mercosul, mas a fábrica estaria instalada na capital paranaense. Com isto, 450 operários argentinos perderão seus empregos.
Os empresários locais consideram que um dos principais responsáveis pela partida das empresas é o secretário da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni. "Ele negociou este êxodo
e não atendeu nenhuma de nossas reclamações", disse Montich através de um comunicado oficial.
O governador de Santa Catarina, Esperidião Amin, esteve dois dias em Buenos Aires para aproveitar o fluxo argentino para o Brasil. "Queremos ser o primeiro degrau na entrada argentina no país", disse. Durante sua estadia, Amin reuniu-se com um dos principais empresários da Argentina, Franco Macri, que recentemente adquiriu o frigorífico Chapecó.
Fontes do governo catarinense afirmaram que o Grupo Macri pretende fazer do estado sulista "uma grande plataforma para a entrada do Grupo no Brasil". Recentemente, Macri declarou que no Brasil pretende investir intensamente no setor de alimentação e nas privatizações de estradas. "No Brasil, nos tratam bem", costumam sustentar entre os executivos do holding argentino.

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