Existe vida após a gripe A
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quinta-feira, 06 de agosto de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quando a estudante Camila de Aguiar, 19 anos, teve os primeiros sintomas de gripe, logo se lembrou do colega de faculdade que disse desconfiar ter contraído o vírus (H1N1) pelo contato com pessoas que vieram de fora do país. Sentindo falta de ar, dor nas pernas e febre, pediu que a mãe a levasse ao Hospital do Trabalhador, de onde foi encaminhada para o posto de saúde do bairro Pinheirinho. Lá foi cogitada a hipótese de estar com a nova gripe.
Depois de receber máscara e passar horas aguardando em uma sala de isolamento, foi consultada pelo médico que verificou os 39ºC de febre e um batimento acelerado, caracterizando taquicardia. Ainda no posto, recebeu soro e ficou em observação, para em seguida ser liberada com receita de Tylenol, Cataflan e a indicação de algumas receitas caseiras para ajudar nos sintomas.
A jovem fez a coleta para o exame que determina a contaminação pelo vírus A (H1N1) no dia 23 de junho. A confirmação laboratorial veio uma semana depois.
Camila e o restante da família permaneceram em isolamento domiciliar por dez dias. O pai e uma irmã também apresentaram os sintomas, mas não tiveram a doença diagnosticada por exame. Fiquei mal por quase duas semanas. Fui a um médico particular sentindo dor no pulmão, mas ele verificou no raio-X que não se tratava de pneumonia, apenas de catarro. Ainda hoje, mais de um mês depois do começo dos sintomas, tenho tosse e o nariz tran-cado, conta.
Durante todo o período em que ficou doente, a estudante conta que foi acompanhada pelos profissionais do posto de saúde, que ligavam a cada dois dias para saber do estado da jovem. Ela explica que, apesar de muito mais intensos, os sintomas que sentiu são idênticos ao de uma gripe comum. A maior diferença é o tratamento das pessoas ao saberem o diagnóstico. A professora perguntou quem teve gripe e eu levantei a mão. Na hora os colegas de classe foram sentar longe de mim. Até as amigas próximas se afastaram. Camila já retornou as atividades normalmente, exceto pelas aulas, que estão suspensas.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin, 98% das pessoas que contraem o vírus da Influenza A (H1N1) têm evolução benigna e, em grande parte, assintomática.


