Nova York, 24 (AE-ANSA) - "O espetáculo que os cubanos em Miami acabam de dar com todo o alvoroço em torno do menino Elián foi revelador para o mundo (...)", disse hoje (24) o reconhecido jornalista anticastrista Luis Ortega, que também é um forte crítico da corrupção do exílio.
Segundo ele, o conflito de Cuba "foi visto com nova luz". "Em Miami, a política americana empenhou-se em construir um vasto movimento contra a revolução cubana à base de subornos e dando impunidade aos grupos cubanos para que construíssem um formidável aparato de corrupção", afirmou Ortega.
O colunista disse que Elián é um símbolo de uma política mal entendida. "É como um castigo a nove presidentes", afirmou. Ele acrescentou que "é difícil aceitar tanto amor por um menino que eles (os parentes de Miami) mal conheciam. Praticamente lhes caiu do céu (...) Aparentemente há algum comércio em todo esse burburinho. Porque há um negócio que meus compatriotas nunca falam: em primeiro lugar está o cash", disse Ortega.
Ele afirmou também que "muita gente deve estar vivendo e manipulando milhares de dólares às custas do pobre menino e que os parentes de Miami nunca haviam ouvido falar da pobre mãe de Elián. Muito menos sabiam de sua existência".
Para Ortega, "a idéia de que estes parentes distantes de Miami têm direito à custódia do menino, deixando de lado o próprio pai, não é aceita por ninguém que tenha um pouco de senso".
"Certamente", continua o anticastrista, "o burburinho em torno de Elián foi manipulado e financiado pelos cubanos de Miami que não querem perder a impunidade política que lhes permitiu surrupiar os negócios". Segundo ele, "basta ouvir os insultos grosseiros contra o presidente Bill Clinton e contra o candidato (democrata) Al Gore para compreender que o propósito do escândalo é consolidar o voto cubano em favor (do republicano) George Bush".
"Por de trás da confusão estão os republicanos e os milionários da Fundação (Nacional Cubano-Americana, a maior organização do exílio, ndr)", disse Ortega.
Ainda segundo ele, "toda a riqueza, mais ou menos legítima, acumulada pelos cubanos em Miami, foi proporcionada pelo governo de Richard Nixon e reafirmada em 1981 com Ronald Reagan".
"É uma riqueza vinculada aos republicanos. Os cubanos gozaram de plena impunidade com os republicanos. Converteram Miami em um dos lugares mais corruptos do mundo".
Ortega afirmou que "os impérios se movem por interesses econômicos. Para mim, é obvio que depois de 41 anos de horrores, os Estados Unidos querem resgatar os 11 milhões de consumidores que residem em Cuba".

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