Exigência argentina reduz em 25% venda de eletrônicos
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 16 (AE) - O setor eletroeletrônico brasileiro está preocupado com medidas protecionistas adotadas pelo governo argentino, que afetam um conjunto de produtos cuja exportação somou US$ 573 milhões no ano passado. Pelas contas da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), as exportações de material elétrico e de eletrodomésticos para o país vizinho caíram 25% no primeiro semestre e essa retração pode crescer no segundo semestre.
A Argentina está exigindo que, a partir de 18 de setembro - prazo final de adaptação, de um total de um ano -, todos os produtos eletroeletrônicos até mil watts importados do Brasil e de outros países sejam certificados por empresas argentinas. Sem a certificação, os bens não poderão ser comercializados na Argentina.
"Até agora, nenhum produto brasileiro recebeu essa certificação", diz o vice-presidente executivo da Abinee, Sérgio Galdieri. "Essa regra é uma enorme barreira não-tarifária."
Galdieri conta que até agora os produtos brasileiros (e também de outros países) podiam ser vendidos na Argentina quando o fabricante possuía uma declaração de um engenheiro argentino credenciado. Agora, eles precisam ter o certitificado emitido por empresa argentina credenciada.
O certificado brasileiro, emitido para o mesmo produto pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), por exemplo, não será aceito. Segundo o empresário brasileiro, existem três empresas argentinas autorizadas para emitir esse certificado, o que inviabiliza a aprovação de todos os pedidos a tempo.
Galdieri diz que os fabricantes de eletroeletrônicos querem que as novas exigências sejam suspensas. Ele pondera que os países do Mercosul ainda não harmonizaram as regras de qualidade e segurança para a produção de bens de consumo.
"É preciso, primeiro, adotar regras, diz. O setor eletroeletrônico, pondera, quer que o governo brasileiro negocie
com vigor, a revisão dessa regra.
Galdieri diz que as exportações para a Argentina já caíram em 1999 porque os comerciantes daquele país temem ter, na prateleira, produtos sem o certificado, obrigatório a partir de 18 de setembro.


