Brasília, 17 (AE) - O Brasil poderá perder cerca de US$ 50 milhões anuais em exportações de frango para a Argentina, seu segundo maior mercado comprador, caso o governo argentino mantenha a exigência de um novo tipo de certificado sanitário para a importação de aves a partir de 1º de março próximo. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF), Claudio Martins, para proteger os produtores de frango daquele país, o governo argentino quer que o Brasil passe a adotar um novo tipo de certificado, denominado de "modelo B".
Este certificado - modelo B - só é aplicado aos países cujas exportações têm restrições em decorrência da existência de "new castle", uma moléstia que atinge o sistema nervoso e respiratório das aves e que causa alto índice de mortalidade dos animais, segundo o diretor de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Hamilton Farias. A alegação do governo argentino para exigir este tipo de certificação é a de que o Brasil - que vem usando o certificado modelo A, por estar livre da doença - não possui o reconhecimento do Comitê Internacional de Epizootias (OIE), entidade internacional que delibera sobre condições sanitárias no setor, sobre a erradicação da "new castle".
O dirigente da ABEF esteve hoje no Ministério da Agricultura alertando as autoridades brasileiras sobre o risco que a exigência argentina representa para as exportações brasileiras de frango. "Se a medida prevalecer serão paralisadas as exportações brasileiras de frango", afirma, observando que este tipo de certificação representa um custo adicional para as empresas que terão que fazer vários testes para preencher os aspectos sanitários exigidos.
Segundo ele, no dia 28 deste mês o ministro da Agricultura, Marcos Pratini de Moraes, participara de uma reunião em Buenos Aires com as autoridades argentinas para discutir o assunto.
Segundo o diretor do departameno de Defesa Animal, Hamilton Farias, há mais de cinco anos o Brasil não registra nenhum caso da doença de "new Castle" que, apesar de ser altamente maléfica as aves, não causa nenhum dano ao ser humano. "Nós exportamos frango para a Europa e o Japão, países que são altamente exigentes. Se tivéssemos a doença, essas vendas não ocorreriam", afirma o diretor da ABEF.
A exigência argentina, conforme o dirigente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, passou a ser feita em decorrência de pressões do Centro das Empresas Processadoras de Aves da Argentina (CEPA). No ano passado, a entidade alegou que havia uma "invasão de frangos brasileiros no mercado argentino". Isso, conforme ele, não pode ser comprovado porque estatísticas da própria Argentina provaram que no ano passado a produção de frangos da Argentina cresceu 5%
passando de 870 mil toneladas/ano para 905 mil toneladas/ano. Em contrapartida, as exportações brasileiras para aquele país, que eram de 62 mil toneladas em 1998, caíram para 50 mil toneladas no ano passado.

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