Exército vistoria explosivos em Ivaiporã
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Maurício Borges 
Um oficial do exército, identificado apenas por major Muniz, de uma unidade de Cascavel, vistoriou ontem o lote de explosivos encontrados no dia anterior, numa mata do Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Ivaiporã. De acordo com o major, que é ligado ao Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC), trata-se de dinamite e outros mecanismos que, normalmente, são utilizados em pedreiras.
O oficial não soube dizer a procedência da dinamite, retardadores de explosão, estopins com detonadores, espoletas e cordel detonante. Segundo ele, a compra deste tipo de produto é rigorosamente controlada pelo exército e, no caso de furto, roubo ou extravio, o responsável pelos explosivos teriam que, imediamente, ter comunicado a polícia e o SFPC. Em todo o Estado nós não temos notícia de qualquer comunicado desse tipo, portanto, é de causar estranheza a apreensão desta quantidade de explosivos, abandonada num matagal.
Ontem surgiu a informação de que um lote de explosivos, de propriedade da empreiteira Everest, teria sido furtado no canteiro de obras da empresa em Mato Rico, na região de Pitanga (centro do Estado). Porém, isso não foi confirmado por um engenheiro da Everest.
Apesar da forma suspeita como estava acondicionada a dinamite e os demais mecanismos, e da proximidade do local aonde aconteceram os atos de sabotagens contra torres da Furnas Centrais Elétricas, o major afirmou que este material encontrado agora é diferente das bombas artesanais desativadas na região Noroeste, em setembro.
Após a vistoria, o delegado em exercício, Antônio Carlos Lins foi informado de que, nos próximos dias, a delegacia de Ivaiporã irá receber um laudo sobre todo o material que, provavelmente, será transferido para depósito apropriado no 30º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército (30º BIM), de Apucarana.
Ainda ontem, Antônio Carlos Lins divulgou para a imprensa um relatório oficial sobre a quantidade e os tipos de materiais apreendidos. No relatório do capitão José Triana Primo, da 2ª Companhia de Bombeiros de Ivaiporã, constam cerca de 30 quilos de dinamite, 40 retardadores de explosivos, 45 estopins com detonadores, 574 espoletas para explosivos, e um cordel detonante com 250 metros de extensão. Todos os produtos estavam acondicionados em duas malas, sob um pedaço de lona plástica.
Devido às suspeitas de que o abandono deste material possa estar ligado à sabotagens das torres de transmissão de energia elétrica, a polícia de Ivaiporã acreditava que o caso seria passado à alçada da Polícia Federal. Ontem, porém, o sub-delegado Antônio Carlos Lins foi informado de que o inquérito policial será dirigido pela própria polícia civil.
No dia 13 de setembro, uma torre de corrente alternada da linha número 1, Foz do Iguaçu-Ivaiporã, foi derrubada por artefatos explosivos, num atentado ocorrido próximo a Nova Tebas, na região central do Estado. Nos dias seguintes ao atentado, especialistas em explosivos, da Polícia Federal, desativaram mais uma bomba artesanal, na base de uma torre, próximo do trevo de acesso a Manoel Ribas, na mesma região. E, no dia 19 de setembro, durante uma varredura em todas as torres de transmissão, um acidente com helicóptero resultou na morte do técnico de Furnas, João Batista Parvas.


