Tasso Marcelo/Agência Estado
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PreocupaçãoA imagem do papa pichada no rosto, em um outdoor localizado na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio Será realizada hoje no Rio a simulação, em tempo real, da visita do papa João Paulo 2º. Quarenta e três ruas serão interditadas no final da tarde, o que deverá provocar a paralisação do centro da cidade. De acordo com o coordenador nacional da visita papal, embaixador Flávio Perri, ‘‘será como se o papa estivesse chegando mesmo, o que fará com que possamos treinar os equipamentos e sistemas de segurança, comunicação, operações aéreas, trânsito e tudo mais’’. Vinte e seis mil homens - sob às ordens do Comando Militar do Leste - estarão envolvidos na segurança do papa, comitiva e multidão.
Perri admitiu que a simulação em tempo real poderá causar transtornos e engarrafamentos, principalmente na Avenida Presidente Vargas. ‘‘Mas tudo será feito para que, no dia em que o pontífice chegar ao Rio, possamos corrigir eventuais falhas’’. A simulação começará na Base Aérea do Galeão, de onde o papa, após a cerimônia de chegada, parte, de helicóptero, para o 3º Comando Aéreo Regional (Comar) no centro. De lá, João Paulo 2º parte de papamóvel em passeio pelas ruas do centro e troca de carro na Presidente Vargas, em frente a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT). Dos Correios, o papa segue, em carro blindado, para o Sumaré, que será interditado por militares do Exército.
Seis outdoors com a imagem do papa João Paulo 2º, espalhados pelo centro do Rio, foram manchados com tinta vermelha, simulando sangue na altura do peito e do pescoço do pontífice. O ato de vandalismo se deu um dia após um dos outdoors, entre as avenidas Passos e Presidente Vargas, a cem metros da Secretaria de Segurança Pública, ter amanhecido com um alvo de papelão na altura do peito do papa. A Polícia Civil está investigando o caso.
O ato de vandalismo irritou a secretária de assuntos especiais da Prefeitura, Sandra Cavalcanti, integrante da comissão organizadora da visita do papa, que o considerou ‘‘atitude de moleques’’. Sandra aventou a possibilidade de as pichações e a colocação do alvo ter sido um golpe de marketing em função do lançamento do livro O papa na mira, do escritor Antônio Luiz Mendes de Almeida. A ficção relata o sequestro do papa por traficantes do Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio. Almeida desmente a versão. ‘‘Acho lamentável o que aconteceu’’.
Para o coordenador nacional da visita papal, embaixador Flávio Perri, a atitude ‘‘representa falta de civilidade, de educação e inspira compaixão pela pobreza de espírito dos seus autores’’. Perri garantiu que a comissão anotou o incidente, ‘‘mas não levará a sério essas atitudes’’. O delegado federal Celso Soares disse que não há possibilidade de o papa sofrer um atentado, já que dez mil pessoas que chegarão a até 40 metros do pontífice - incluindo os religiosos - estão sendo investigadas, a partir de dados do cadastramento.
Duzentos policiais federais fizeram, durante um mês, cursos de direção defensiva, operações anti-sequestro, evacuação de área, desativação de explosivos, entre outros, para garantir a segurança pessoal do papa. Perri, há um mês, temia a ação ‘‘de algum maluco’’, mas acha que atitudes como a do comerciante José de Moura, o Bejoqueiro, que beijou o papa na primeira visita, em 1980, não se repetirá. ‘‘Aquilo ocorreu antes do atentado contra o Santo Padre, quando o esquema de segurança era totalmente diferente’’, afirmou. Todas as pessoas que chegarem perto do pontífice sofrerão revista por detectores de metal.

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