O município de Buritis (MG) vive uma situação inédita. De um lado da Fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, estão acampados 100 homens do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar de Minas Gerais. Do outro lado estão 380 sem-terra, que começam a arregimentar mais pessoas para voltar a fazer protestos na frente da fazenda. Dentro da Córrego da Ponte, o Exército faz simulações de guerra, com alguns soldados se arrastando no chão, e a Polícia Federal vigia a porteira.
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que em nenhum momento havia enviado a PM para a fazenda enquanto os sem-terra estavam acampados no local, reforçou ontem o efetivo. Colocou 100 homens na área. Eles chegaram em dois ônibus e três viaturas, assustando a população do vilarejo de Unidos do Sul, a seis quilômetros da entrada da fazenda. Alguns policiais não têm coldre e carregam os revólveres nos bolsos. Também está no local o Centro de Apoio, Computação e Informática da PM - um Fiat Fiorino com alguns transmissores de mão e colchões.
Além de um helicóptero, que fez vários vôos sobre as 14 casas da comunidade e desceu em alguns pastos, a PM instalou uma central de comunicações em uma torre desativada de telefonia, de 35 metros. Um soldado subiu e fez o serviço sem equipamentos de segurança. A PM levou ainda geradores e barracas de lonas verdes, que começaram a ser montadas no fim da tarde.
‘‘Isso aqui virou uma coisa sem pé e sem cabeça’’, disse Anice Koch, de 55 anos, uma agricultora gaúcha que montou comércio em Unidos do Sul, onde a PM está acampada. Anice lamenta não estar com a filmadora de seu cunhado para registrar cenas.‘‘Dava algumas videocassetadas’’, disse.
Dentro da fazenda, os 295 homens do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) do Exército fazem exercícios de guerra. Um dos militares disse que os soldados estão gostando da experiência. (A.E.)

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