Exército reforça atuação na Amazônia
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O governo vai aumentar a presença militar na Amazônia, a partir do próximo ano. O Ministério do Exército já tem planejado a criação de pelo menos mais cinco pelotões na fronteira entre o Brasil, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa, reforçando seu esquema de segurança, hoje composto de 80 unidades. Para evitar gastos, os novos batalhões serão compostos por militares de Roraima, Amapá e Amazonas.
Se a Amazônia vai ganhar reforço militar, também poderá perder um contingente de quase 200 policiais federais que hoje atuam em várias operações especiais na região no combate ao narcotráfico. Por falta de recursos, a PF deverá suspender seus trabalhos até o final deste ano.
Os militares admitem que a criação das novas unidades faz parte de um projeto de reforçar cada vez mais a segurança na Amazônia, considerada uma prioridade do Exército. Porém, eles não relacionam os quatro batalhões que estão sendo criados ao recente incidente entre Brasil e Colômbia, na fronteira do Estado do Amazonas com a localidade colombiana de Mitu. No dia 3 de novembro passado, aviões da Força Aérea Colombiana entraram em território brasileiro sem autorização para reabastecerem. O Itamaraty pediu explicações formais e o caso foi encerrado depois que se verificou que os colombianos estavam transportando pessoas feridas.
Falta de verba pode reduzir efetivo da PF no
combate ao tráficoHoje, o Exército mantém pelotões em quase toda a fronteira brasileira, mas sentiu necessidade de ampliar a vigilância em alguns setores. Um dos novos batalhões será instalado em Tiriós, na divisa entre o Amapá e Pará, onde recentemente 13 pessoas teriam sido mortas num confronto entre garimpeiros e índios arredios. O batalhão ficará em um ponto estratégico próximo à Guiana Francesa e Suriname, onde há informações da presença de bandoleiros, apesar de não haver informações de que esses grupos atuem dentro do Brasil.
Outros dois batalhões serão criados em Roraima. O de Ericó faz fronteira com a Venezuela, enquanto que o de Uiramutã está na divisa com a Guiana Inglesa. No Amazonas serão criados os batalhões de Pari-Cachoeira e Tunuí, na fronteira com a Colômbia, na região conhecida como cabeça do cachorro, onde aconteceu um confronto entre tropas militares colombianas e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina.
Nas últimas cinco décadas, o Exército aumentou de 200 para 25 mil o número de homens na Amazônia, aumentando de seis para 80 o número de unidades na região. O maior reforço aconteceu em 1992 e 1993, quando foram transferidos para a região, duas brigadas e dois batalhões do Sul e Sudeste,além de um esquadrão de avião. Nesta época, começaram a surgir ameaças de internacionalização, uma eterna preocupação dos militares. Sempre há essa possibilidade e, por isso, estaremos em alerta, diz um oficial do ministério do Exército. Temos consciência de que a Amazônia é uma reserva de material estratégico, por isso sempre será uma prioridade para nós, acrescenta o militar.
A Amazônia vai ganhar mais vigilância na fronteira, mas, em compensação, poderá perder as bases Anzol, localizada no Alto Solimões, e Candiru, em Rondônia, responsáveis pela diminuição do tráfico de cocaina para o Sul e Sudeste do País. As bases são mantidas pela Polícia Federal e poderão ser desativadas por falta de recursos para manter os dez agentes que trabalham 24 horas ininterruptamente. Até mesmo a operação Porteira Fechada, que a PF está iniciando junto com policiais da Colômbia e Peru corre risco de não ser realizada por falta de dinheiro.
O diretor da PF, Vicente Chelotti não confirma a extinção das bases, mas garante que a operação Porteira Fechada está dando resultados positivos e representa hoje a principal ação de repressão da PF em todo o País. Em um ano nós destruimos 16 pistas de pouso clandestina, apreendemos 27 aviões e estamos investigando outras 105 aeronaves, um trabalho que não pode acabar,afirma Chelotti. Hoje nós praticamente bloqueamos o tráfico terrestre e quando o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) estiver completamente instalado, acabaremos de vez com a rota de droga na região, completa o diretor da PF.
Pelos céus e floresta da Amazônia passam anualmente mais de oito toneladas de cocaina vinda do Peru e refinada na Colômbia. Em 1997, a PF conseguiu apreender 1,7 tonelada, uma quantidade considerada recorde. Agora, tanto a Polícia Federal quanto o Exército e Aeronáutica esperam ver regulamentada a lei que permite o abate de aviões.


