Exército ocupa Marabá temendo ação de sem--terra
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 29 (AE) - Os principais pontos da cidade de Marabá, no sul do Pará, foram ocupados hoje por forças do Exército. O comando do 52º Batalhão de Infantaria e Selva na região não quis explicar o motivo da ação militar, limitando-se a falar em "manobra de rotina para adestramento da tropa ". A mobilização do Exército coincide com a invasão das instalações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por cerca de 7 mil sem-terra e lavradores de 150 assentamentos e fazendas ocupadas em 16 municípios da região.
O secretário de Defesa Social do governo do Pará, Paulo Sette Câmara, foi informado sobre a ação do Exército em Marabá, mas não quis comentar o assunto. Os sem-terra estão cobrando do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que a reforma seja acelerada e promessas de melhorias nos assentamentos, crédito agrícola, construção de escolas e postos de saúde.
A presença do Exército nas principais entradas e saídas de Marabá, revistando ônibus e caminhões foi classificada pelo líder do MST, Eurival Martins, como "intimidação". Segundo o MST, os militares estão apreendendo facões, foices e enxadas dos agricultores que chegam à cidade.
Martins afirmou que os trabalhadores não pretendem invadir outros prédios públicos ou ocupar a ferrovia de Carajás."Nossa manifestação é pacífica e ordeira, quem está agitando o sul do Pará é o Incra, com sua omissão na reforma agrária e em não cumprir acordos acertados com o MST e Fetagri no final do ano passado."
O superintendente do Incra na região, Vitor Hugo da Paixão Melo, informou não haver "recursos para atender o que os sem-terra e assentadois estão pedindo". Melo ameaça fechar a sede do Incra se o MST "radicalizar".


